Pela primeira vez nas nossas vidas sabemos o que David Bowie vai fazer.

Durante o dia falo com os meus amigos sobre David Bowie e é como se estivéssemos a falar de pessoas diferentes.
Como se chama um artista que consegue aparecer junto de cada espectador como se aparecesse e cantasse só para ele?
Um génio.
Bowie era um génio. Era um génio com um jeito desconcertante para parecer normal.
Por isso era tão descaradamente artifi cial. As invenções dele nunca escondiam, nem por um segundo, a invenção. Escondiam era o inventor: ele.
Bowie gostava de fingir que não havia ninguém de especial por baixo daqueles fatos. Que era uma pessoa como qualquer outra.
Mas não era. Bowie era especial.
Bowie era um génio musical.
Bowie era um génio antigo que sabia que a música não chega. É preciso um mistério. É preciso espectáculo. É preciso incompreensão.
Bowie sabia espalhar a confusão. Espalhando a confusão deixa crescer as fantasias de cada espectador. Cada um fi ca com a liberdade de completar Bowie, de fazer um Bowie pessoal, só para ele.
Nenhum outro artista musical deu tanta força ao público dele.
Bowie era inspirador porque sabia que o mistério faz criar.

Miguel Esteves Cardoso

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