Devo deixar o meu cão lamber-me a cara?

Não é incomum ver os donos de muitos cães – e mesmo gatos – deixarem-se cumprimentar pelos bichos com uma lambidela na cara, qual beijo cheio de baba e afecto. O gesto caloroso, porém, desperta dúvidas, em quem tem e até em quem não tem animais. Será seguro? Só até certo ponto.

Segundo o The Guardian, que falou com vários especialistas, os cães passam grande parte do tempo a despistar odores, muitas vezes com o focinho sobre tudo quando se agarra aos passeios, nomeadamente dejectos. Por isso transportam enormes quantidades de bactérias, vírus e germes de todas as espécies e feitios.

Estas bactérias são desconhecidas do sistema imunitário humano e muitas podem mesmo causar doenças, nomeadamente gastroenterites. E a pasteurella multocida, que é habitante natural na boca de um cão, foi considerada a responsável por um surto de meningite que matou 42 crianças com menos de quatro anos em França, entre 2001 e 2011. Metade eram recém-nascidos e a maioria tinha recebido lambidelas dos cães e gatos da família. Os especialistas que estudaram o caso recomendaram que fosse reduzido o contacto entre crianças e animais de estimação.

Já este ano, a BMJ, uma conceituada publicação médica no Reino Unido, deu conta do caso de uma mulher de 70 anos encontrada em casa às portas da morte, que quase não sobreviveu a uma septicemia. A causa era uma bactéria, a capnocytophaga canimorsus, que lhe tinha sido passada pelo cão. Não havia vestígios de arranhões ou dentadas, pelo que os especialistas concluíram que a bactéria teria sido transmitida através de uma lambidela.

Apesar dos exemplos citados, desenvolver uma infecção devido a uma lambidela de cão é acontecimento raro. Ainda assim, ao Guardian, Bruno Chomel, professor de saúde pública e reprodução na universidade de medicina veterinária da Califórnia, admite que “no geral, não é bom ser lambido no rosto e sobre qualquer tipo de ferida”. Mas são as pessoas que têm o sistema imunitário comprometido, os mais velhos e as crianças que devem sobretudo evitar este tipo de exposição. E dá um exemplo: um homem com um tímpano perfurado, e cujo caso foi relatado na revista Lancet, deixou que o cão o lambesse na orelha e foi depois diagnosticado com uma meningite.

https://www.msn.com/pt-pt/saude/saude-e-medicina/devo-deixar-o-meu-c%C3%A3o-lamber-me-a-cara/ar-AAjEmRX?li=AA4WWv&ocid=spartanntp

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