Portugueses nunca gastaram tão pouco em restaurantes e tanto com a casa.

As famílias portuguesas estão a gastar uma percentagem menor do seu orçamento com restaurantes e hotéis e mais com habitação, energia e combustíveis. A comparação é feita pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) de cinco em cinco anos.

Portugueses nunca gastaram tão pouco em restaurantes e tanto com a casa

Nuno Aguiar

Nuno Aguiar naguiar@negocios.pt
19 de Dezembro de 2016 às 11:32

Desde 1989 que as famílias portuguesas não dedicavam uma percentagem tão significativa do seu orçamento a despesas relacionadas com habitação, energia e combustíveis. Em 2015/2016, estes gastos têm um peso de 31,8%, quando, há cinco anos, era 29,2%. Esta despesa tem seguido uma trajectória de crescimento desde o final da década de 80 e volta agora a registar um novo máximo. Em sentido contrário, os gastos com hotéis e restaurantes registam uma contracção significativa nos últimos cinco anos, passando de 10,4% para 8,5%. É também um mínimo histórico.

“O peso das despesas em Habitação, água, electricidade, gás e outros combustíveis aumentou 2,6 pontos percentuais no período de cinco anos que mediou entre os dois inquéritos mais recentes, enquanto o das despesas em Transportes registou um aumento de 0,2 pontos”, referem os técnicos do INE, numa publicação divulgada esta segunda-feira.

“Por outro lado, foram as rubricas de ‘Restaurantes e hotéis’ e ‘Lazer, recreação e cultura’ as que, entre 2010/2011 e 2015/2016, perderam mais peso no total da despesa anual média, a primeira em quase dois pontos (de 10,4% para 8,5%) e a segunda em cerca de um ponto (de 5,3% para 4,2%).” 

Os dados têm por base o Inquérito às Despesas das Famílias, segundo o qual os agregados familiares gastaram 20.916 euros em 2015/2016. Mais 2,6% do que há cinco anos (20.391 euros). Somadas, as despesas de habitação (31,8%), transportes (14,7%) e produtos alimentares e bebidas não alcoólicas (14,4%) representam 60,9% do total. O que também traduz um reforço de quatro pontos face a 2010/2011. “Mantém-se assim a tendência para o aumento da importância relativa da despesa total anual média das famílias nas três principais componentes, observada desde 2000 (53,4% em 2000, 55,0% em 2005/2006, 57,0% em 2010/2011)”, pode ler-se no destaque do INE.

No entanto, este crescimento de 2,6% dos gastos totais não toma em linha de conta a evolução da inflação. Numa análise a preços constantes, a despesa das famílias é hoje 4,2% mais baixa do se observava há cinco anos. Além disso, o INE sublinha ainda que os agregados familiares com filhos têm, em média, gastos 44% mais elevados do que os restantes agregados.

Numa análise por regiões, conclui-se que existe uma assimetria significativa: entre Lisboa e o Alentejo há uma diferença de quase sete mil euros na despesa média anual das famílias. A Área Metropolitana de Lisboa ultrapassa em 14,6% a média nacional, enquanto há três regiões com desvios negativos de assinalar: os Açores têm -17,9%, o Alentejo -14,4% e Madeira -11,7%.

(Notícia actualizada às 11h50)

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