OLÁ VELHOTE/A!

Só não tenho a certeza se os mais novos vão envelhecer…?

Se tal acontecer ainda bem para eles…!

Por favor, envia esta mensagem de volta para mim. Não me excluas e

vais-te rir quando vires a mensagem de retorno.

Eu nunca trocaria os meus amigos surpreendentes, a minha vida

maravilhosa, a minha amada família por menos cabelo branco ou por uma

barriga mais lisa. À medida que fui envelhecendo, tornei-me mais

amável para mim, e menos crítico de mim mesmo. Eu tornei-me o meu

próprio amigo… Eu não me censuro por comer um cozido à portuguesa ou

uns biscoitos extra, ou por não fazer a minha cama, ou por comprar

algo supérfluo que não precisava.

Eu tenho o direito de ser desarrumado, de ser extravagante e livre. Vi

muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de

compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento. Quem me

vai censurar se resolvo ficar a ler, ou a jogar no computador até as

quatro horas da manhã, ou a dormir até meio-dia? Se me apetecer dançar

ao som daqueles sucessos maravilhosos dos anos 60 & 70, e se, ao mesmo

tempo, quiser chorar por um amor perdido… danço e choro.

Se me apetecer andar na praia com um calção excessivamente esticado

sobre um corpo decadente, e mergulhar nas ondas com abandono, apesar

dos olhares penalizados dos outros, os do jet set, aí vou eu.

Eles também vão envelhecer.

Eu sei que às vezes esqueço algumas coisas. Mas há mais algumas coisas

na vida que devem ser esquecidas. Eu recordo-me das coisas

importantes. Claro, ao longo dos anos o meu coração foi quebrado. Como

não se pode quebrar o coração quando se perde um ente querido, ou

quando uma criança sofre, ou mesmo quando algum animal de estimação

amado é atropelado por um carro? Mas corações partidos são os que nos

dão força, compreensão e compaixão. Um coração que nunca sofreu é

imaculado e estéril e nunca conhecerá a alegria de ser imperfeito.

Eu sou tão abençoado por ter vivido o suficiente para ter os meus

cabelos grisalhos e ter os risos da juventude gravados para sempre nos

sulcos profundos do meu rosto. Muitos nunca riram, muitos morreram

antes dos seus cabelos virarem prata. Conforme se envelhece, é mais

fácil ser-se positivo e preocuparmo-nos menos com o que os outros

pensam. Eu não me questiono mais. Eu ganhei o direito de estar errado.

Assim, para responder à sua pergunta, eu gosto de ser idoso.

A idade libertou-me. Eu gosto da pessoa em que me tornei. Eu não vou

viver para sempre, mas enquanto cá ando, não vou perder tempo a

lamentar-me do que poderia ter sido, e não me vou preocupar com o que

será o futuro. E eu vou comer sobremesa todos os dias (se me

apetecer).

Autor desconhecido

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