O visto vigarista

Miguel Esteves Cardoso

Amber Rudd, a ministra do Interior do Reino Unido, está a pensar em oferecer aos jovens da União Europeia um visto especial, igual àquele que já oferece aos jovens do Mónaco, do Japão, de Taiwan, de Hong Kong, da Coreia do Sul, da Nova Zelândia, da Austrália e do Canadá. Pensese bem nos países desta lista. O que é que têm de comum? Quais são os países que fi cam de fora? Precisamente. E qual tem sido até aqui o êxito deste visto junto dos cidadãos destes países? Quase nenhum. Porque será? Este visto é conhecido como o barista visa, porque é um dos empregos que mais dependem de mão-de-obra estrangeira. O director da cadeia sanduicheira PretA-Manger já explicou que são poucos os jovens britânicos que querem trabalhar naquele rame-rame mal pago. Coitados. Chamar barista a este visto vigarista é darlhe um glamour que esconde o objectivo deste presente envenenado: arranjar quem faça os trabalhos que os cidadãos do Reino Unido não querem fazer, como tratar dos velhotes. Stephen Bush, no New Statesman, é contundente: como o visto não permitirá fi car mais de dois anos ou receber benefícios sociais, os jovens estão proibidos de adoecer, apaixonar-se ou serem promovidos. Isso é que era bom. O visto vigarista quer recrutar jovens europeus para os despedir e os substituir dois anos depois. Se forem despedidos mais cedo, que arranjem outro trabalho ou voltem para casa — isto é, desde que só fi quem no Reino Unido um máximo de dois anos. Dois anos para ser cidadão de segunda: que aliciante.

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