Carlos Moedas: "Diziam que eu era forreta, eu não tinha era dinheiro nenhum"

Carlos Moedas, o Comissário Europeu Investigação, Ciência e Inovação celebrou esta semana o Dia da Europa em Portugal. Uma conversa a dois tempos, começando pela atualidade política e recuando até ao berço. Afinal, falamos da história de um europeísta convicto, nascido em Beja quatro anos antes do 25 de Abril, filho de um comunista e que assume que o programa Erasmus – para o qual conseguiu entrar depois de um murro na mesa de um professor do Instituto Superior Técnico («O sr. Moedas é de Beja, nunca viu o mundo e tem de ir ver o mundo!») lhe abriu as portas tanto da sua carreira como da formação enquanto pessoa.

Quão paradoxal é ter um país – do Parlamento ao Governo, passando pelo Presidente da República – contra a proposta de orçamento da Comissão Europeia, mas ter a imprensa internacional a dá-lo como maior vencedor desta proposta de quadro plurianual? Sabendo, claro, que os comissários representam pastas e não nacionalidades, como é que lida com o paradoxo?

Há uma parte positiva e uma negativa. A parte positiva é que durante muito tempo se dizia que a Europa não colocava como prioridade a Ciência e a Inovação e agora são prioridades claras. E é isso que faz, depois de negociações que são muito complexas, com que seja o maior aumento de sempre na Ciência e na Inovação. Os detratores da Europa, tanto nos Estados Unidos como na Ásia, diziam: «A Europa está a perder caminho, já não investe o suficiente». E agora a Europa responde: «Não, nós estamos a investir 100 mil milhões na Ciência e na Inovação e ainda pomos mais 10 mil milhões só no Digital». Isto é um statement muito forte a nível internacional. Um programa de 100 mil milhões de euros em Ciência e Inovação simplesmente não existe em qualquer outra parte do mundo. Isso é a boa notícia. A má não é tanto um paradoxo… A má notícia é que a Europa, tendo menos um membro, tem de fazer alguma coisa a nível monetário. O Reino Unido correspondia, em geral, de 12 a 15 mil milhões por ano do Orçamento anual da UE. Quando esses 15 mil milhões desaparecem, algo acontece. E o quê? Os programas maiores têm uma redução. Quando olhamos para a Política Agrícola Comum [PAC] e para os fundos estruturais, eles representam 72% de todo o orçamento. Quando retiramos uma fatia, eles seriam sempre os mais afetados. Não se trata de uma má vontade da Europa… Trata-se um de facto: há menos dinheiro porque um dos grandes membros da União sai [o Reino Unido]. E isso não é nenhuma surpresa, já se sabia que iria acontecer. Quando falamos em cortes entre os 5 e os 7%, estamos a falar de cortes que são inferiores àquele que é o corte no orçamento no Reino Unido, houve um esforço nesse sentido.

Não teme que a redução na Política de Coesão fortaleça os partidos de discurso mais populista e anti-europeu?

(pausa) Já vi tudo… Hoje há uma desconexão total entre a economia e a política. Se fosse assim, um país como a Polónia teria um discurso totalmente pró-europeu. Se olhar para os gráficos, a Polónia é o país que mais recebe em fundos estruturais  e o Governo tem um discurso contra a Europa. Há uma desconexão muito grande entre essas duas realidades. Pôr mais dinheiro nos países não quer dizer que eles falem melhor da Europa. Isso é um problema porque não deveria ser assim. Alguma coisa estamos a fazer mal.

Se o dinheiro não gera europeísmo, o que gera?

A conexão entre a Europa e os cidadãos, que é o que se tem perdido. Faço uma comparação com o ‘block chain’, que veio retirar os intermediários da economia. É o que essa tecnologia veio fazer: já se faz uma economia de par a par. E o que nós tivemos muitos anos na Europa foi sempre intermediários: pomos dinheiro nos países mas havia sempre um intermediário, o país, empresas, bancos. As pessoas nunca sabiam que o dinheiro vinha da Europa. Quando visitei um instituto em Manchester, pago com quase 30 milhões de euros da UE, perguntei à pessoa que estava à entrada se sabia quem tinha pago, e ela disse-me que tinha sido «o mayor de Manchester». A partir daí, também percebemos melhor o Brexit…

É populista dizer que agora que há menos dinheiro os primeiros a sofrer serão os mais países pobres?

Isso seria especulativo… Aquilo que foi aprovado no Colégio de Comissário não faz nenhuma divisão por país. O que dizemos é que com a saída de um membro vamos ter uma redução geral na PAC e nos fundos estruturais. Isso é uma realidade.

Mas não sendo uma alocação por país mas por áreas, há áreas que beneficiam mais facilmente país de maior capacidade económica…

Isso é mal comparado… Não podemos comparar 72% do Orçamento com a política da Ciência que eram 8% do Orçamento… Mesmo aumentando para 100 mil milhões a política da Inovação e da Ciência, continua a ser muito pequeno comparado com o resto do bolo. A redução que houve era inevitável porque eram as maiores políticas europeias [sendo maiores, sofrem mais]. Mas, para sermos claros, estou triste com isso? Estou. A política de fundos estruturais e a Política Agrícola são importantíssimas. Estou a tentar ter na parte da Ciência 10 mil milhões só para a Agricultura: digitalização, inovação, etc.. Mas isto é o resultado de 20 anos a dizer mal da Europa, de populistas e extremistas. As pessoas dizem que «ah, aconteceu», e aconteceu e é capaz de ser pior. As eleições de 2019, na volta, esperando eu que não, vão trazer mais populistas e extremistas. Não é só o Reino Unido. É toda uma série de países em que esse discurso e essa retórica funciona. Quando maior for esse discurso, menos dinheiro há…

Mas quanto menos dinheiro houver não teremos mais desse discurso também?

É uma espiral. Por um lado, é o efeito desses países todos dizerem «nós não pomos mais dinheiro», mas depois, se não se põe mais dinheiro, a Europa funciona pior. Um exemplo: a Guarda Costeira. Quando o presidente [da Comissão Europeia] disse para fazermos uma, o que é que esses países dizem? «Não! A soberania! Com uma guarda costeira europeia perdemos soberania!». Mas se não houve guarda costeira vamos ter mais problemas em relação à nossa costa.

Aceitaria ficar como comissário europeu?

Isso não é uma questão que se ponha neste momento. A questão que se põe na minha vida é: o que é que quero fazer depois? Gosto muito de política internacional e acho que faço um bom papel como político português na arena internacional. Mas isso é uma questão que é muito cedo para se discutir, para se falar, para se pensar. Até porque eu posso querer, de certa forma, e penso muito nisso… a vida política não deve ser feita só de política ou só de privado. Estive muito mais anos na área privada e tenho algumas saudades dessa área porque se aprende imenso. Também tenho uma paixão pela área pública e agora fiz uns bons anos na área política. Tenho que ver com a família, comigo próprio… E depois, obviamente, não depende de mim. É uma decisão do primeiro-ministro de Portugal. De mim depende pensar nisso. Esta fase da minha vida é tão preenchida – no ano passado fiz mais de 60 viagens – que não tenho muito tempo para pensar no futuro, no que vou fazer, no que quero fazer. Estou totalmente metido nisto, no trabalho da Comissão, e gosto. Mas não sei… Não sei o que será esse futuro. E é uma coisa óptima: há uma parte que depende de mim, que é a minha escolha, mas grande parte não depende de mim. Vamos ver.

Essa agenda tirou-lhe muito tempo familiar?

É essa a parte mais complicada. A maior parte dos meus colegas tem mais de 60 anos, filhos crescidos. Eu tenho muita dificuldade quando penso que os meus filhos estão a crescer e eu não estou com eles o tempo suficiente. Não sei se isso é bom ou mau para eles (risos).

Qual foi o pior momento do seu mandato?

A crise do ébola foi muito complicado de gerir. Precisávamos de mais dinheiro para chegar à primeira vacina do ébola e às vezes os programas europeus são tão fechados que tivemos muitas dificuldades. Isso foi um choque. Pensar que sou comissário mas não conseguia chegar a essa decisão. E lá fora perguntavam: «O que é que estão a fazer? Onde é que está a vacina?». Na altura, conseguimos desbloquear 100 milhões de euros e depois os privados meteram mais 100 milhões. Mas foi um momento difícil. Os atentados em Bruxelas foram um momento também difícil. Mas, no geral, os momentos não foram maus. É tão interessante uma pessoa estar no centro da Europa, ver como funciona…Os momentos mais difíceis também os fui esquecendo. Agora as discussões do Orçamento… Quando eu entrei para as negociações, o Orçamento que estava em cima da mesa era muito longe dos 100 mil milhões.

Muito longe?

Bastante longe… (risos). Depois houve ali uma luta, que foi definir com os meus colegas como é que eu conseguia chegar ao objetivo dos três dígitos: os 100 milhões. Nunca tinha havido um programa [na Inovação] de 3 dígitos. «Vocês têm de me ajudar a chegar aos três dígitos, como é que vamos fazer?». Um dos colegas que me ajudou muito foi o comissário da Agricultura, que, coitado, estava a sofrer bem mais do que eu mas achava que devia ajudar porque não lhe fazia grande diferença [a nível orçamental]. Mas fazia uma grande diferença para mim… Esse é um pouco o legado que se pode deixar: um programa para a Ciência de que me orgulhe. A minha parte está feita. Agora é esperar que o Parlamento Europeu e os países cumpram a missão deles. Tenho otimismo em relação a isso, mas nunca se sabe… Acho que terei o apoio do Parlamento, mas o apoio que é mais difícil é ter a unanimidade nos 28 – neste caso, os 27…

Vamos agora recuar quase 48 anos…

(risos)

Nasceu em pleno verão alentejano, em agosto de 1970. Consegue traçar o retrato de Beja nesse ano?

Não sei… são memórias um bocadinho a preto e branco. Imagine uma cidade pequena, em que o meu pai era jornalista mas não podia dizer tudo o que queria. Há uma imagem: o meu pai recebia muitas ameaças e ainda tenho lá aquelas histórias todas, e um dia tem uma ameaça de morte e a minha mãe disse-lhe «então não saias de casa!» e ele diz «vou sair, porque se me quiserem matar mesmo matam, e ser hoje ou amanhã é igual». Havia uma grande tensão. O meu pai [que era militante do PCP] quase foi preso e eu era muito pequeno. Essas coisas ficam, são muito fortes. Por outro lado, é quase extraordinário porque esses talvez tenham sido os melhores anos do meu pai. É uma parte agridoce. A democracia desapontou-o. E tudo o que ele esperava que acontecesse não aconteceu. Os melhores anos lá em casa foram aqueles logo a seguir ao 25 de Abril. Mas nos anos 80 ele já não acreditava em nada… As minhas memórias começam aí com 5 anos, nas manifestações do 1.º de Maio a seguir à Revolução, lembro-me de ir com o meu pai a um dos primeiros comícios do PSD em Beja. Houve tiros e tivemos que nos esconder debaixo de um carro.

Mas o seu pai também ia aos comícios do PSD?

Ia porque era jornalista. Não concordava com nada (risos). Ia para dizer mal! Só que me levou e eu gostei.

Se lhe pedir um exercício de memória qual é a primeira coisa que lhe vem à cabeça?

Lembro-me do Álvaro Cunhal vir a Beja a um 1º de Maio. Eu vivia em frente a um parque de campismo e lembro-me de ir com o meu pai ver aquela figura. Era realmente impressionante, metia um respeito enorme. O mundo era muito diferente. Hoje em dia, o acesso à informação é completamente diferente. Mas um político naquela altura, sobretudo o Álvaro Cunhal, era um feito extraordinário ele entrar ali.

São sobretudo memórias políticas, então…

São, muitas… Memórias menos políticas… Brincávamos muito na rua. Lembro-me de os meus pais não terem dinheiro para me comprar uma bicicleta e todos os meus amigos já tinham uma. Depois lá conseguiram [sorri]. Lembro-me dos primeiros computadores, dos primeiros jogos.

A tecnologia já o deixava fascinado?

Já, até porque os meus pais não tinham dinheiro para me comprar… Hoje os miúdos como têm tudo não têm o mesmo fascínio.

Ia com o seu pai para a redação?

Muitas vezes. O meu avô chegou a trabalhar na sala das máquinas, que era assim uma sala industrial com uns aparelhos em que se derretia o chumbo. Lembro-me muito bem disso. Depois, o chumbo era deitado numas formas e essas formas tinham cada frase do jornal. Depois, o meu pai punha a tinta em cima do chumbo e uma folha por cima, para se carregar e sair a impressão. Quando havia uma gralha, o meu pai corrigia e o trabalhador retirava o que estava mal e voltava a fazer. O meu avô trabalhava nessas máquinas e o meu pai era jornalista e começou muito jovem a escrever.

Nunca pensou ser jornalista?

Como o meu pai era jornalista… Houve várias fases e houve uma em que eu não queria ser nada como ele. Era aquela fase da rebeldia de ser jovem. Sinceramente, nunca pensei nisso.

Nunca assinou nada no Diário do Alentejo?

Nunca, nem o meu pai permitiria isso. Ele era jornalista, era o jornal dele, não o vejo nada a deixar. Poderia, se eu quisesse ser jornalista, dizer-me para ir para outro jornal. Mas ali não acharia muita piada…

Como é que era na escola?

Desde miúdo que percebi que, como fisicamente não me podia diferenciar, era melhor estudar [risos]. Lembro-me de os professores dizerem que eu era bom aluno aos meus pais e deu-me sempre imenso prazer estudar. Fui sempre seguindo aquilo que os bons alunos faziam, a carreira nas ciências, na matemática… Todos acabavam por ir para engenharia ou para medicina e eu fui influenciado por isso. Era uma coisa um bocadinho estúpida do ensino português, que já não é do vosso tempo.

Como era o seu grupo de amigos?

Dava-me com muita gente. Um grande amigo era filho de um grande médico, um homem que me marcou muito, um dos primeiros portugueses a estudar a paralisia cerebral, o Artur Carvalhal. O filho [João] era um dos meus melhores amigos. Também tinha alguns amigos cujos pais eram latifundiários e que diziam mal do meu pai [risos].

Como lidava com isso?

A pior fase foi já nos anos 80, quando o meu pai decidiu pôr no jornal uma lista do que cada latifundiário tinha recebido dos primeiros fundos da CEE e os jipes que tinham comprado…

Nunca perdeu um amigo por causa do seu pai?

Não, mas era complicado. Às vezes, as pessoas não separam muito bem a diferença entre aquilo que é a profissão de um pai e aquilo que os filhos são.

Aconteceu com os seus filhos?

Agora não, mas quando estive no Governo de certeza que sofreram. E não deve ser assim: devemos proteger a vida privada e os nossos filhos. Tanto para um político como para um jornalista. É essencial numa sociedade democrática.

Essa falta de privacidade na vida pública afasta-o de um regresso à política nacional?

Não, essas memórias são fruto de algo que no futuro vai ser mais fácil as pessoas avaliarem. Acho que não eram coisas dirigidas à minha pessoa, mas à situação. As pessoas estavam a sofrer e estavam revoltadas. Agora, é muito mais difícil quando um filho ouve isso na rua e não faz essa separação porque é miúdo. Mesmo que saísse da vida mais pública isso estaria sempre presente. Foi uma altura [2011-2014] muito dura para toda a gente. Hoje, as pessoas reconhecem-me de uma maneira diferente porque a posição é bastante diferente – e até me conhecem melhor, porque na altura eu não podia ser verdadeiramente eu próprio. Estávamos a viver uma época muito dura, as medidas tinham que ser feitas. Naquela altura conheciam um tipo que estava atrás de uma folha de Excel, hoje já não é assim.

Regressando a Beja: quando é que percebeu que não se revia nos ideais do seu pai?

Nos anos 80, em que comecei um bocadinho a ler sobre o que se passava na União Soviética. Achava que havia ali qualquer coisa que não batia certo. Lembro-me de fazer-lhe perguntas sobre os Jogos Olímpicos de Moscovo e de sentir que ele tinha visto o que lhe queriam mostrar e não o filme todo. Tivemos discussões muito engraçadas porque ele era um homem muito inteligente e conseguia sempre dar-me a volta. Mas senti sempre que havia qualquer coisa no regime soviético que não funcionava – e mais tarde provou-se que, de facto, não funcionava. Foi um regime terrível para as pessoas. Começámos aí a ter as primeiras diferenças, mas ele respeitava-as. Nunca me disse para ser igual a ele, para pensar como ele.

Nunca houve um choque frontal?

Não, nessa altura fiz uma escolha: apesar de já ter uma tendência para a parte política, nunca me quis meter-me na associação de estudantes nem na política, exatamente para não o deixar numa situação em que ele se sentisse mal.

Foi pelo seu pai que não começou mais cedo na política?

Talvez hoje possa dizer que sim, que me afastei para não chocar com o meu pai. Mas isso já é quase psicanálise

Vai estudar para o Instituto Superior Técnico, engenharia civil. Porquê?

Como tinha notas muito boas, os professores diziam que eu tinha de ir para medicina. Um dia, houve um acidente ao lado de minha casa, o senhor ficou cheio de sangue e eu desmaiei. Como é que eu podia ir para médico se não conseguia ver sangue? [risos] O curso com melhor média a seguir era engenharia. Fui um bocadinho sem saber ao que ia. Não sabia o que era.

Era um ambiente muito politizado?

Tinha muitas associações e muitas discussões, mas eu nunca me meti muito. Queria viajar.

Como é que foi a adaptação a Lisboa?

Foi complicado. Os meus pais não tinham muito dinheiro, o meu pai já estava doente. Fui viver para um quarto de uma senhora terrível em Campo de Ourique. Não podia ter a luz acesa até tarde, não podia tomar banho todos os dias. Tive de me apoiar em amigos para estudar em casa deles. Lembro-me que umas amigas estavam num lar de freiras no Lumiar , só de raparigas, mas as freiras simpatizaram comigo e deixavam-me ir para lá. Ia às oito da manhã, ficava até às oito da noite. Não podia estudar em casa por causa da conta da luz.

Era a austeridade… [risos]

Já na altura… [risos] Ia variando entre os amigos para não se fartarem muito de mim [mais risos].

E também saía à noite? Onde ia?

Sim, sim. Os meus amigos consideravam-me um bom aluno cool. Havia o Kremlin, nas escadinhas, não era? A Kapital, mas não me lembro se já se chamava assim. E o Frágil, no Bairro Alto, lembro-me perfeitamente.

Foi barrado alguma vez à porta do Frágil?

Devo ter sido milhares de vezes [risos]. Às vezes tomo café numa pastelaria ao pé de minha casa e cruzo-me com a Margarida Martins. Já lhe disse que me deve ter barrado muitas vezes [mais risos]. As saídas dependiam sempre do dinheiro que tinha. O quarto custava seis contos, tinha de comer sempre nas cantinas. Ao almoço, no Técnico. À noite, na Faculdade de Ciências, que era ótima.

Nunca teve que cozinhar?

Isso era impossível. A senhoria não me deixava entrar na cozinha [risos]. Depois arranjei uma namorada que vivia ao pé de mim e comecei a ir lá a almoçar a casa. A mãe dela gostava de mim e alimentava-me [mais risos].

Foi numa visita de estudo a França que decidiu fazer o Erasmus. Quem lhe falou do programa?

Foi ali no Técnico. Um grupo de estudantes organizou uma viagem. Eu nunca tinha andado de avião. Vi que aquilo era tão barato que foi uma oportunidade para visitar a Aero Spaciale em Toulouse. Fui e encontrei um grupo que tinha sido, creio, do primeiro ano de Erasmus. Incentivaram-me muito a ir e eu entusiasmei-me. Comecei a falar com os professores daqui e eles não queriam nada que eu perdesse o 5º ano do Técnico. Todos diziam que não, que era uma chatice, até que um homem fabuloso – o Professor Quintela, um dos maiores professores de hidráulica – reuniu os professores todos e deu um murro na mesa e disse: «O sr. Moedas é de Beja, nunca viu o mundo e tem de ir ver o mundo!». E eu fui. Tenho muita pena de nunca lhe ter agradecido como queria antes de ter falecido. Mudou a minha vida. Nunca tinha visto absolutamente nada, nada, nada. De repente chego a Paris e foi a descoberta total. Marcou-me tanto.

Já falava francês ou aprendeu lá?

Falava o francês do liceu de Beja com pronúncia alentejana (risos). Estar num país em que percebemos mais ou o menos o que nos dizem e não conseguir comunicar… [Nessa altura] pensava nos emigrantes que saíram de Portugal e como aquilo era difícil, chegar a um país e não falar a língua. Tornou-me uma pessoa diferente em termos de resiliência. Digo sempre aos meus filhos que ir estudar lá para fora não é pelo que se estuda, é por aquilo em que nos transforma. Hoje sou uma pessoa extremamente tolerante, estou sempre a tentar perceber o que os outros pensam. Quando me fazem uma crítica acho sempre que deve ter alguma verdade, ponho-me  na pele do outro. Isso aprendi lá fora, consigo captar as coisas nos primeiros instantes de uma maneira muito diferente.

Consegue dar exemplos?

Por exemplo, numa reunião está uma pessoa italiana, uma alemã e uma eslovena. Sei que a pessoa italiana, seja homem ou mulher, me vai dar um ‘passou bem’ com alguma distância; se estiver uma portuguesa dou um beijinho e explico a seguir à alemã que dei um beijinho à portuguesa porque é costume, porque a alemã fica estarrecida – como é que se ele nunca a viu e vai cumprimentá-la com um beijinho? Numa negociação perceber as culturas funciona.  Aprendi a captar rapidamente como é que as pessoas vão reagir. E isto porque cometi muitos erros – cheguei a França e…

Tentou dar beijinhos?

Lembro-me de estar numa mesa e uma americana ia sentar-se, achei que a cadeira estava longe, aproximo-a e toco-lhe nas costas. E ela vira-se para mim com uma violência e diz: «Don’t touch me!». E isso para uma americana é normal, pensou que eu lhe estava a tentar tocar quando eu estava a ser simpático. Ao trabalhar com diferentes culturas há que ter um cuidado enorme com o que se diz.

O Erasmus iniciou o seu romance com a Europa?

Sim. Não conheço ninguém que tenha feito Erasmus e que não tenha gostado. Depois acabei por ficar cinco anos em França e fui depois para os EUA. Mas foi o Erasmus que me lançou e ainda por cima não tinha um tostão, fui para lá e levava um cheque de 16 mil francos franceses [2.400 euros]. O meu pai estava muito doente, deixou o jornal e a minha mãe tinha começado a trabalhar como auxiliar num infantário para ajudar. O meu pai reformou-se com uma reforma baixíssima, eles não tinham dinheiro nenhum para me dar e eu tive que viver com aquele dinheiro. Mas fui muito feliz.

Chegou a trabalhar lá em algum lado ou conseguiu com esse curto orçamento gerir a vida?

Consegui, mas os meus amigos diziam que era muito forreta. Eu não era, simplesmente não tinha dinheiro (risos). Há uma diferença entre ser sovina e não ter dinheiro nenhum, mas fiquei com alguma fama. Alguns ainda me dizem: «Eras tão forreta!»

O seu pai morreu em 1993. Estava no Eramus?

Já tinha acabado, o meu pai morreu em novembro de 1993. Ficou com uma doença terrível, ficou alcoólico, uns sete ou oito anos antes. Essa foi realmente uma época dificílima da minha vida. Acho que nunca falei nisso porque nunca tive de falar, mas acho que é bom também falar para as pessoas saberem que estas doenças são terríveis. Tenho o maior respeito por ajudar pessoas que estejam nessa situação, seja de droga ou álcool. Infelizmente aqueles últimos anos do meu pai não foram anos em que tive grandes conversas com ele.

São doenças difíceis e transversais.

A toda a gente. A pessoa fica sempre com o remorso do que é que podia ter feito mais para ajudar, mas são doenças em que a própria pessoa tem que se ajudar a si própria e portanto nesses últimos tempos não sei… Acho que é das piores doenças para destruir uma família, seja a droga seja o álcool. E a família não sei se sofre tanto como eles, mas sofre muito. Foi um choque.

O alcoolismo já era visto como uma doença?

Infelizmente talvez não como é hoje. Não acho que o país estivesse de todo preparado para isto, para ajudar as pessoas, não havia estruturas, hospitais, métodos. Talvez houvesse para quem tivesse mais dinheiro. Foi uma fase difícil não só da minha vida e de toda a família mas de todas as pessoas que gostavam dele. Ele era uma figura do Alentejo.

Tem uma rua com o nome dele em Beja!

E acho que é bem merecida.

Vamos então falar do período em trabalhou a fazer esgotos e saneamentos em Paris, entre 1993 e 1998.

Uma fase bonita, esgotos e saneamento (risos).

Como foi parar a essa empresa?

Foi mais ou menos a meio do Erasmus. Íamos sempre a uma livraria ao pé da Sorbonne de um português comprar o Expresso, um de nós que tivesse dinheiro comprava – quase nunca era eu. Um dia havia um anúncio de uma empresa que procurava um jovem engenheiro. Pensei que não tinha nada a perder, mandei o currículo. Começo a trabalhar lá logo a seguir ao curso mas com um problema – é que havia o serviço militar obrigatório. Fiquei sempre convencido que iam acabar por não me chamar. Engano meu, porque chamavam todos os médicos e engenheiros e então lá fui para Tancos, que era a escola da engenharia, e para a Pontinha depois. Foi um choque brutal porque aquilo era duro fisicamente.

O serviço militar foi um revés na sua carreira ou tirou alguns ensinamentos interessantes?

Foi uma boa experiência. Vinham pessoas de todo o país e de todas as condições sociais. E depois também, no fundo, para alguém como eu que nunca tinha feito nada físico, também tinha uma parte de disciplina física que não era assim tão má como isso e aprendi a conhecer-me melhor a mim próprio. Se voltasse atrás, escolheria ir à tropa sem qualquer hesitação.

E depois manteve alguma dessa disciplina física?

(risos) Tento, mas acho que não se revela. Às vezes vou correr ao pé do Tejo.

Está mais europeísta ou é como os teólogos que quanto mais estudam mais se afastam da religião?

(risos) Cada vez sou mais europeísta. Não há nenhum caminho para a Europa que não seja uma união cada vez mais forte entre os povos.

Uma união cada vez mais federal também?

Acho que no longo prazo sim, num horizonte a 50 anos. Acho que a Europa vai caminhar sempre para uma união que pode chegar a uma federação mas a uma federação diferente. Não será uma federação de estados mas uma federação de estados-nação, mas isso é muito longínquo. Agora temos de nos concentrar em ser uma Europa que resolve problemas comuns e que tem poderes fortes para resolver problemas que são impossíveis resolver de país a país. Sem isso nunca vamos lá chegar.

A Inteligência Artificial (IA) é uma das grandes apostas da sua pasta. Imagina-se no futuro a ser entrevistado por um robô?

Acho que estamos muito longe disso. A entrevista tem uma parte humana que um robô  nunca conseguirá fazer. A Mariana está a ouvir e também a interpretar o que estou a dizer e o meu body language e isso nunca poderá ser feito pela IA. A grande beleza da IA é que nunca nos vai substituir mas pode ser um complemento extraordinário.

Vou ler-lhe uma passagem para ver se reconhece. «Depois de amanhã as coisas que deveriam amanhecer diferentes eram os homens…»

É do meu pai, não é? É um artigo do Vento Suão.

Só precisei de uma frase, mas aqui diz «nenhuma criança, tua vizinha, ou de muito longe, deveria ter fome ou frio nem os pais sem ganho suficiente de lhes dar pão». Independentemente das divergências, lembra-se desse mundo melhor que o seu pai queria e continua a achar que o que faz ajuda esse mundo a um dia acontecer?

Sim, acho que continuo a tentar lutar por esse mundo melhor todos os dias e talvez por isso me tenha interessado pela vida pública que era uma escolha que na altura não era racional. A vida pública talvez tenha sido esse chamamento para fazer alguma coisa pelos outros. Agora de uma forma menos idealista que era a do meu pai, que é tentar fazer aquilo que posso em cada sítio que posso de uma maneira razoável para ajudar a que esse mundo seja melhor. Mas acho que o mundo está melhor, também temos esta ideia um bocadinho errada. Julgo que foi há dois ou três anos que o Obama disse: se tivéssemos um qualquer ponto na história em que pudéssemos escolher para nascer, esse ponto era hoje, e as pessoas ficaram um bocado espantadas com esse discurso. Temos muitas crises, mas o ponto em que vivemos hoje… Tenho muita pena de não estar a nascer hoje, acho que os meus filhos vão ver coisas extraordinárias e únicas. Olhamos para o mundo há 70 anos e havia guerra na Europa, aliás, nunca tivemos um período tão longo sem guerra. Uma coisa engraçada que ele dizia é que até estamos, no fundo, mais inteligentes: se fizéssemos um teste de QI na década de 50 e o mesmo teste adaptado a hoje a média dessa altura seria globalmente de 100 e hoje seria 120. Estamos a evoluir sempre para melhor e não podemos ter esta coisa um bocadinho derrotista de dizer que tudo está pior. Não. Globalmente o mundo está melhor: as pessoas vivem mais tempo, vocês vão todos viver mais de 100 anos. Olho para o mundo assim e claro que as coisas que o meu pai escrevia eram muito bonitas e inspiram-me nesta caminhada.

O seu discurso no congresso do PSD foi muito aplaudido nas bancadas laterais, pelos militantes e observadores, mas dentro dos dirigentes, no meio, não teve o mesmo entusiasmo. O seu discurso, não sendo um que pretendia atiçar as massas, ainda assim cativou as pessoas que estavam só lá a assistir. Há um grande vácuo entre aquilo que estamos a discutir e pensar hoje, o que o seu orçamento vai fazer na Europa, aquilo que defende para o futuro e aquilo que o PSD hoje pensa e é. Tem noção desse vácuo?

Acho que não se pode definir ou dizer aquilo que o PSD é. Acho que o PSD tem muitas pessoas que pensam como eu e que olham para esse futuro e que eu próprio espero contribuir para o PSD de hoje com essa visão do futuro. Acho é que o mundo mudou de tal maneira que os partidos por definição são instituições do mundo físico e ainda se estão a adaptar a um mundo que é digital. E há sempre uma resistência nessa adaptação a esse mundo. O ser humano resiste. E a minha mensagem no congresso era um bocadinho a do que seria um PSD futuro nesse mundo digital. É óbvio que muita gente olha para aquilo como um discurso futurista. Mas o problema é que esse futuro já está aí. Talvez algumas pessoas tenham pensado «então mas o que é que ele está aqui a falar de blockchain e de democracia e isso tudo» no sentido digital da democracia. É talvez o que é preciso hoje na política. Acho que haverá cada vez mais pessoas dentro do PSD como eu que olham para isso e estamos aqui todos para ajudar a que este líder faça esse caminho e que olhe para esses temas futuros e é algo que nestes anos tem de ser construído não só no PSD mas em todos os partidos em geral.

Não desiste dessa missão de agregar para preencher esse vácuo.

Esse é um dos maiores desafios: como é que no mundo em que os jovens se afastaram da política, em que as pessoas acham que não confiam no sistema… Nós não podemos ir buscar esses jovens e toda essa parte da população que está fora com os mesmos métodos que utilizámos nos últimos 20 anos. Fazer um congresso em que todos estamos sentados a ouvir discursos uns a seguir aos outros, isso é o método do passado. O método de hoje é várias plataformas ao mesmo tempo a discutir diferentes temas, em que há pessoas que estão em salas a falar sobre o mundo digital… Os próprios congressos partidários vão ter que mudar para terem uma participação de todos aqueles que estão fora. Por exemplo, num congresso partidário aquilo que estava a dizer é que tem ao centro aqueles que estão ali, que são os delegados, e que depois há essas margens. Mas essas margens, que são militantes individuais ou pessoas que estão ali por interesse e cada vez são mais, é que são o desafio. Obviamente que num mundo digital isso pode acontecer mas as pessoas que estão naquele centro também não lhes apetece abrir espaço. Isso faz parte do ser humano e a nossa missão é encontrar maneiras para que as pessoas participem mais nessa vida partidária, mesmo sendo apenas simpatizantes. Como é que essas ideias nos chegam e depois são trabalhadas…

Perguntei-lhe no início sobre a próxima Comissão Europeia, respondeu com as eventuais saudades do setor privado. Deduzo daí que não tem eventuais saudades do PSD.

(risos) Gosto muito do PSD e por várias razões. Gosto do PSD porque é um partido em que nós realmente nos sentimos livres de pensar e um partido em que há muitas diferenças e em que as pessoas pensam de maneiras diferentes sobre vários temas. Isso é bom. Eu só poderia enquadrar-me num partido em que sentisse essa liberdade. Acho que o PSD é dos partidos em que a pessoa se sente mais livre por dentro. Havia muita gente, aliás, que dizia que nós tínhamos uma péssima comunicação porque cada um dizia a sua coisa. Mas acho que isso vem desse ADN da liberdade do PSD e o PSD realmente é um partido que tem gente que veio de todo o lado, um partido em que sempre me senti muito bem.

Quando fala em contribuir para o PSD de hoje significa que não estará distante da contribuição para o PSD de amanhã.

Estarei sempre ao lado de quem estiver a liderar o PSD e ajudar esse líder a continuar e a fazer e a falar sobre os temas da atualidade, seja na inovação seja na ciência ou noutros temas, mas ajudar, sobretudo, a mudar a maneira como fazemos política. Como é que vamos trazer mais pessoas para a política, como vamos ter uma política que não seja só de cima para baixo a dizer ‘vamos fazer isto e aquilo e temos estas ideias’, mas a construir essas ideias com as pessoas. Penso que a maior parte dos partidos ainda estão numa lógica muito top down – isto são ideias, vamos fazer isto, implementem. No mundo digital isso funciona ao contrário, mas tem que funcionar com regras. Também é muito bonito dizer ‘vamos agora à participação de todos e com todos’, mas tem que ser organizada. E como é que isso se faz? Quais são as tecnologias que nos podem ajudar nesse futuro para construir uma democracia mais participativa? Obviamente num mundo físico uma pessoa dava um voto a outra para poder representá-la. Mas hoje num mundo digital eu posso ter diferentes opiniões para diferentes pontos e posso querer dizer a esse meu representante que sobre aquele tema ele me representa ou não. Imagine que eu voto no PSD porque gosto de uma determinada posição, mas daqui a 20 ou 30 anos uma pessoa pode ter acesso a imediatamente dizer ao seu  deputado a sua opinião sobre um tema.

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Catarina de Bragança

Quando alguns Nobres portugueses chegaram à conclusão de que o negócio da venda da coroa de Portugal aos Filipes, tinha deixado de ser rendoso e tinha atingido a falência, resolveram mudar de rei.

Infelizmente, esqueceram-se de tomar providências quanto a uma previsível reacção do rei deposto que, por um conjunto de circunstâncias, era, também, rei de Castela e de mais uns quantos territórios.

A guerra foi uma consequência lógica e o novo rei de Portugal, que precisava de aliados, encontrou a solução no casamento de uma das suas filhas com o rei Carlos II de Inglaterra.

A negociação do casamento foi difícil!

Carlos II tinha motivos para desejar mas, também, para temer tal casamento: desejava-o, porque a princesa era bonita e o dote poderia encher os seus falidos cofres; mas, também, receava que isso pudesse reacender a guerra com Espanha.

Resistiu até o dote da princesa ser irrecusável: foi o maior dote de que há memória no Ocidente! Portugal ficou falido, o rei português ganhou um aliado para a guerra com Espanha,  e a Inglaterra ganhou um capital que se transformou no mais rentável investimento da sua história: o império britânico!

Hoje, diríamos que Carlos II deu o “golpe do baú” !

A cerimónia do casamento realizou-se em Maio de 1662.

Assim, começou a parte infeliz da vida de Catarina de Bragança, uma princesa nascida e criada no seio de uma família com cultura, educação e hábitos tradicionais portugueses que, por sua infelicidade, foi desterrada para uma corte que, contrariamente ao que alguns escritores e cineastas de pacotilha nos querem fazer crer, era rude e atrasada em relação à restante Europa.

Catarina, teve um papel importantíssimo na modernização da Inglaterra e na alteração da filosofia de vida dos ingleses pelo que,  embora não suficientemente, ainda hoje é admirada e homenageada.

Provocou uma autêntica revolução na corte de Inglaterra, apesar de ter sido sempre hostilizada por ser diferente mas nunca desistiu da sua maneira de ser, nem consentiu que as damas portuguesas do seu séquito o fizessem.

Tinha uma personalidade tão forte que conseguiu que aqueles (principalmente aquelas) que a criticavam, em breve, passassem a imitá-la.

E assim, se derem grandes alterações na corte inglesa:

O conhecimento da laranja

Catarina adorava laranjas e nunca deixou de as comer graças aos cestos delas que a mãe lhe enviava.

O costume do “CHÁ DAS 5”

Costume que levou de casa e que continuou a seguir organizando reuniões com amigas e inimigas. Este hábito generalizou-se de tal maneira que, ainda hoje, há quem pense que o costume de tomar chá a meio da tarde é de origem britânica.

A compota de laranja

Que os ingleses chamam de “marmalade”, usando, erradamente, o termo português marmelada, porque a marmelada portuguesa já tinha sido introduzida na Inglaterra em 1495.

Catarina guardava a compota de laranjas normais para si e suas amigas e a de laranjas amargas para as inimigas, principalmente, para as amantes do rei.

Influenciou o modo de vestir

Introduziu a saia curta. Naquele tempo, saia curta era acima do tornozelo e Catarina escandalizou a corte inglesa por mostrar os pés, o que era considerado de mau-gosto e que não admira devido aos pés enormes das inglesas. Como ela tinha pés pequeninos, isso arranjou-lhe mais inimigas.

Introduziu o hábito de vestir roupa masculina para montar.

O uso do garfo para comer

Na Inglaterra, mesmo na corte, comiam com as mãos, embora o garfo já fosse conhecido, mas só para trinchar ou servir. Catarina estava habituada a usá-lo para comer e, em breve, todos faziam o mesmo.

Introdução da porcelana

Estranhou comerem em pratos de ouro ou de prata e perguntou porque não comiam em pratos de porcelana como se fazia, já há muitos anos, em Portugal. A partir de aí, o uso de louça de porcelana generalizou-se.

Música

Do séquito que levou de Portugal fazia parte uma orquestra de músicos portugueses e foi por sua mão que se ouviu a primeira ópera  em Inglaterra.

Mobiliário

Catarina também levou consigo alguns móveis, entre os quais preciosos contadores indo-portugueses que nunca tinham sido vistos em Inglaterra.

O nascimento do “Império Britânico”

Como já se disse, o dote de Catarina foi grandioso pela quantia em dinheiro mas, muito mais importante para o futuro, por incluir  a cidade de Tânger, no Norte de África e a ilha de Bombaim, na Índia.

Traindo os Tratados que tinham assumido e com a desculpa de que o rei de Portugal era espanhol, os ingleses conseguiram, apesar do controle da Marinha Portuguesa, navegar até à Índia onde criaram um entreposto em Guzarate.

Em 1670, depois de receber Bombaim dos portugueses, o rei Carlos II autorizou a Companhia das Índias Orientais a adquirir territórios.

Nasceu, assim, o Império Britânico!

Hoje, há pouca gente que saiba a importância que a Rainha Catarina teve para os ingleses e o carinho que eles tiveram por ela. A sua popularidade estendeu-se até à América, onde um dos cinco bairros de Nova Iorque (Queens) foi baptizado em sua homenagem.

Em 1998, a associação “Friends of Queen Catherina” fez uma colecta de fundos para lhe erguer uma estátua; não o conseguiu, devido à oposição de alguns movimentos cívicos que acusaram Catarina de ser uma das promotoras da escravidão.

Mais uma vez, a ignorância venceu!…

Autoria de Arnaldo Norton

Depois das Fundações, tínhamos esquecido os Observatórios…

São os encontrados e, na grande maioria, com muita dificuldade, pois o objectivo é “esconder” do publico estes observatórios…

NÓS SOMOS MEROS OBSERVADORES E EFECTIVOS PAGADORES.

Todos com 5 ou 6 administradores, todos com carrinhos alemães, todos com cartões de crédito…

Alguns só não têm é funcionários!

Vejam só:

1) Observatório do medicamentos e dos produtos da saúde

2) Observatório nacional de saúde

3) Observatório português dos sistemas de saúde

4) Observatório da doença e morbilidade

5) Observatório vida

6) Observatório do ordenamento do território

7) Observatório do comércio

8) Observatório da imigração

9) Observatório para os assuntos da família

10) Observatório permanente da juventude

11) Observatório nacional da droga e toxicodependência

12) Observatório europeu da droga e toxicodependência

ESTE É UMA AGENCIA EUROPEIA DESCENTRALIZADA, NÃO ESTÁ NO ERÁRIO PUBLICO PORTUGUES

13) Observatório geopolítico das drogas

14) Observatório do ambiente

15) Observatório das ciências e tecnologias

16) Observatório do turismo

17) Observatório para a igualdade de oportunidades

18) Observatório da imprensa

19) Observatório das ciências e do ensino superior

20) Observatório dos estudantes do ensino superior

21) Observatório da comunicação

22) Observatório das actividades culturais

23) Observatório local da Guarda

24) Observatório de inserção profissional

25) Observatório do emprego e formação profissional

26) Observatório nacional dos recursos humanos

27) Observatório regional de Leiria

28) Observatório sub-regional da Batalha

29) Observatório permanente do ensino secundário

30) Observatório permanente da justiça

31) Observatório estatístico de Oeiras

32) Observatório da criação de empresas

33) Observatório do emprego em Portugal

34) Observatório português para o desemprego

35) Observatório Mcom

36) Observatório têxtil

37) Observatório da neologia do português

38) Observatório de segurança

39) Observatório do desenvolvimento do Alentejo

40) Observatório de cheias

41) Observatório das secas

42) Observatório da sociedade de informação

43) Observatório da inovação e conhecimento

44) Observatório da qualidade dos serviços de informação e conhecimento

45) Observatório das regiões em reestruturação

46) Observatório das artes e tradições

47) Observatório de festas e património

48) Observatório dos apoios educativos

49) Observatório da globalização

50) Observatório do endividamento dos consumidores

51) Observatório do sul Europeu

52) Observatório europeu das relações profissionais

53) Observatório transfronteiriço Espanha-Portugal

54) Observatório europeu do racismo e xenofobia

55) Observatório para as crenças religiosas

56) Observatório dos territórios rurais

57) Observatório dos mercados agrícolas

58) Observatório dos mercados rurais

59) Observatório virtual da astrofísica

60) Observatório nacional dos sistemas multimunicipais e municipais

61) Observatório da segurança rodoviária

62) Observatório das prisões portuguesas

63) Observatório nacional dos diabetes

64) Observatório de políticas de educação e de contextos educativos

65) Observatório ibérico do acompanhamento do problema da degradação dos povoamentos de sobreiro e azinheira

66) Observatório estatístico

67) Observatório dos tarifários e das telecomunicações

68) Observatório da natureza

69) Observatório da qualidade

70) Observatório quantidade 71) Observatório da literatura e da literacia

72) Observatório nacional para o analfabetismo e iliteracia

73) Observatório da inteligência económica

74) Observatório para a integração de pessoas com deficiência

75) Observatório da competitividade e qualidade de vida

76) Observatório nacional das profissões de desporto

77) Observatório das ciências do 1º ciclo

78) Observatório das ciências do 2º ciclo

79) Observatório nacional da dança

80) Observatório da língua portuguesa

81) Observatório de entradas na vida activa

82) Observatório europeu do sul

83) Observatório de biologia e sociedade

84) Observatório sobre o racismo e intolerância

85) Observatório permanente das organizações escolares

86) Observatório médico

87) Observatório solar e heliosférico

88) Observatório do sistema de aviação civil

89) Observatório da cidadania

90) Observatório da segurança nas profissões

91) Observatório da comunicação local

92) Observatório jornalismo electrónico e multimédia

93) Observatório urbano do eixo atlântico

94) Observatório robótico

95) Observatório permanente da segurança do Porto

96) Observatório do fogo

97) Observatório da comunicação (Obercom)

98) Observatório da qualidade do ar

99) Observatório do centro de pensamento de política internacional

100) Observatório ambiental de teledetecção atmosférica e comunicações aeroespaciais

101) Observatório europeu das PME

102) Observatório da restauração

103) Observatório de Timor Leste

104) Observatório de reumatologia

105) Observatório da censura

106) Observatório do design

107) Observatório da economia mundial

108) Observatório do mercado de arroz

109) Observatório da DGV

110) Observatório de neologismos do português europeu

111) Observatório para a educação sexual

112) Observatório para a reabilitação urbana

113) Observatório para a gestão de áreas protegidas

114) Observatório europeu da sismologia

115) Observatório nacional das doenças reumáticas

116) Observatório da caça

117) Observatório da habitação

118) Observatório Alzheimer

119) Observatório magnético de Coimbra

Perguntas necessárias:

– Para que serve tudo isto?

– Porque foram criados?

– Quem nomeia estes crânios?

– O que é que fazem?

– Quem os controla?

– Que utilidade têm para a sociedade?

– E, sobretudo, vivem à conta de quem?

RESPOSTA PROVÁVEL :

– São na maioria repositórios de políticos defenestrados sem trabalho no final de mandatos.

Aceitando a Justiça, podemos rir-nos dela?

David Dinis


Editorial

Tribunal da Relação de Lisboa decidiu agora reverter uma decisão anterior da Justiça portuguesa e dar por justa a entrega à Justiça angolana do julgamento de Manuel Vicente.

Porque a separação de poderes é constitucionalmente garantida, não há como não aceitar a decisão. Mas porque vivemos no Estado de direito, temos o direito — precisamente — de nos rirmos dela.


É claro que Angola é um Estado
soberano. É claro que tem uma Constituição que garante poderes aos seus governantes e ex-governantes. É verdade também que existem tratados e acordos assinados permitindo (sublinho, permitindo) que sejam remetidos para Angola julgamentos de cidadãos angolanos por crimes cometidos em Portugal. Admitimos mais: que existem na Constituição e legislação portuguesas princípios gerais como “a boa administração da Justiça” e “a garantia de melhores condições de reinserção social” para os suspeitos e eventuais condenados.


O que não se percebe é como é
que estes princípios gerais (volto a sublinhar, gerais) são aplicados sem ter em conta o caso em concreto. Ora, o que nos diz o Tribunal da Relação é que: não há nem pode haver garantia de Angola de que o caso que estava pronto a ir para julgamento em Portugal seja julgado lá (e que isso não faz mal); que não há nem pode haver garantia que não seja aplicada uma amnistia a Manuel Vicente em Luanda (e que isso não faz mal); que é “boa administração da Justiça” o facto de Vicente estar em Angola — e por isso ser mais fácil julgá-lo lá (e que isso é normal); que o arguido tem direito a “optar pelo sistema jurídico que considere mais favorável”; e ainda que Manuel Vicente terá “melhores condições de reinserção social em Angola do que em Portugal”. É possível, claro, dizer que tudo isto é normal, que tudo isto é aplicável a Manuel Vicente, como se falássemos de um cidadão normal num Estado normal, que tivesse praticado um crime em Portugal. O que não seria normal era que aceitássemos isto, tudo somado, sem o questionar, mesmo tendo sido Portugal o Estado lesado e sem termos obrigação de aplicar a lei angolana.


A verdade é que “acabou-se o
irritante”, nas palavras do Presidente Marcelo, que comentou sem ler, pouco tempo após saber, lembrando que até já estava marcada uma cimeira entre ministros da Defesa. Acabou-se seguramente “o irritante” para Angola. Para nós, portugueses, fica “o irritante” de deixarmos livre e tranquilo um vice de Angola, suspeito de ter subornado cá um procurador português, pagando-lhe 760 mil euros para que a nossa Justiça arquivasse dois inquéritos sobre a sua compra de imóvel de luxo — pois claro, em Portugal. Venha o próximo.


david.dinis@publico.pt

327 dias depois, está tudo na mesma (incêndios de 2017)

    Filomena Martins

    327 dias depois dos fogos de Pedrógão, os erros repetem-se. E só nos resta mesmo ter fé na Natureza. Porque nos homens que nos governam já é impossível acreditar.

    Passaram 327 dias desde o grande incêndio de Pedrógão. Passaram 207 dias desde os fogos de outubro. Passaram 201 dias desde que em Conselho de Ministros Extraordinário depois da morte de mais de 100 pessoas o Governo anunciou as medidas para evitar novas tragédias. E eu passei as últimas horas a ler notícias e a ver debates e intervenções sobre as promessas que continuam por cumprir para chegar a uma conclusão em poucos minutos: pouco ou nada mudou. Quando estamos a pouco mais de um mês de passar um ano sobre aquela longa noite de sábado que me fez sentir impotente e ter vergonha, os erros repetem-se. E só nos resta mesmo ter fé na Natureza. Porque nos homens que nos governam já é impossível acreditar.

    Vamos a factos.

    Sobre a grande aposta, o reforço dos GIPS (Grupo de Intervenção Proteção e Socorro) da GNR, é revelador ler o mail (divulgado no Público) enviado pelo comandante aos seus operacionais. Ficam só estas passagens: “Passamos a contar com cerca de 1070 militares, mas não temos Equipamento de Protecção Individual”; “Previsivelmente (com alguma sorte à mistura) podemos ter uma farda por militar, botas, cogula, óculos e capacete no dia 20 de Maio. Sublinho que só teremos uma farda… não há tecido em Portugal para mais nesta altura. Esclareço também que nesta altura provavelmente não vai haver luvas (estamos a pensar em soluções ‘imaginativas’ para solucionar este problema. Até agora não vemos a luz ao fundo do túnel)”; “Para complicar mais um bocado a nossa vida falta ainda dizer-vos o ponto de situação sobre material e viaturas. Rádios, telemóveis, computadores, impressoras… Não existem”; “Camas, armários, mesas e cadeiras… não há”; os 96 carros novos estão à espera de autorização, para já só contam com 77 velhos e talvez em “Junho, Julho” possa haver “algumas pickups”; “Só com o fim da formação iremos saber as vagas e colocações”; quanto ao ataque ampliado “só para Agosto”.

    Sobre os meios aéreos, ui… Dos 20 que era suposto a Protecção Civil poder contar a 1 de Maio, há apenas três helicópteros ligeiros do Estado operacionais: com os atrasos nos concursos, os 14 alugados ainda não foram aprovados pelo Tribunal de Contas. Quanto às 35 aeronaves que deviam estar disponíveis a 15 de maio, o ministro lá admitiu após uma audição de 7 horas que talvez existam “dez”: mas apenas para voar em “circunstâncias excepcionais”. E dos 50 meios aéreos previstos para 1 de junho, haverá 42 apenas “adjudicados”: no debate quinzenal o primeiro-ministro disse que “estão cá”, mas não revelou nem onde, nem quantos ou quais são.

    Sobre os famosos Kamov, nada de novo. Continuam os três parados, em reparação, sem autorização da Autoridade Nacional de Aviação Civil para voar: e ainda se estão a consultar empresas para contratar os outros oito helicópteros ligeiros prometidos e os três pesados que hão-de substituir os avariados.

    Sobre o reforço do papel das Forças Armadas, só dúvidas. Dos próprios: os militares não sabem ao que vão, com que meios e fazer o quê.

    Sobre as centrais de biomassa e biorrefinarias, um vazio. As últimas notícias são de junho do ano passado: ainda antes da primeira tragédia.

    Sobre as comunicações, quase tudo na mesma e arcaico. No SIRESP, é claro que o Estado não conseguiu entrar no capital da empresa: limitou-se a alterar o contrato com a operadora, investindo 15,6 milhões numa rede que funcione quando a principal falhar. E o sistema informático que permite ver em tempo real todas as ligações continua sem licença de utilização: é preciso fazer desenhos nos quadros e em papel, que são depois apagados ou rasgados (o que dá muito jeito quando é preciso esconder dados, como aconteceu com a auditoria feita em novembro e só agora conhecida).

    Sobre a mudança e profissionalização da estrutura de combate aos fogos é bom nem falar. Com a demissão de António Paixão, são já cinco os comandantes da Protecção Civil em ano e meio: depois de no ano passado o Governo ter mudado metade dos comandos em Abril, este ano perde o líder a meio de Maio. Também ninguém sabe o que vai acontecer com os comandantes de agrupamento (CADIS): por agora limitam-se a fazer escalas no centro de Carnaxide. E a nova Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais como vai ser integrada? E a lei orgânica para regular o que está a ser reformulado? Tudo continua por aprovar.

    O que resta então?

    Umas idas às “zonas afectadas” para distribuir os 500 milhões despejados sobre o drama para o fazer esquecer com a recuperação das casas e as indemnizações às vítimas.

    A encenação de seis minutos e 47 segundos de Costa de serra na mão para as televisões depois daquele mail ameaçador das Finanças a mandar-nos a todos limpar as matas em redor das nossas casas, ainda que o Estado não cumpra a sua parte e os especialistas considerem esta lei da floresta sem base técnica ou científica.

    Uns sms anunciados ontem para alertar os cidadãos em zonas de risco de incêndio (não se sabe se a avisar para fugirem ou para outra coisa, e é preciso que tenham rede e os consigam ler).

    Os costumeiros grupos de trabalho ou unidades de missão.

    E um rol de boas intenções inconsequentes.

    O que aconteceu quase há um ano só surpreendeu infelizmente quem andava distraído. O que se repetiu em Outubro foi fruto de uma incúria que noutro país faria cair com estrondo todo o Governo e não apenas uma ministra incapaz e por pressão presidencial. Mas ninguém parece ter aprendido a lição. Estamos a ver o mesmo filme e ninguém se importa por já saber que tem um final trágico. Se as chuvas tardias desta Primavera tiveram deixado as matas que não arderam em 2017 com a erva tão alta como a que cresce no jardim em frente à minha casa que a Câmara de Sintra não corta, não faltará combustível para que muito arda novamente. Que venha aí mais um Verão negro.

    O pior surdo é o que não quer ouvir. E António Costa chegou ao ponto de deslumbramento no poder que nada escuta. Olha para a esquerda e pisca o olho ao Bloco que lhe pode garantir governar se não tiver maioria. Olha para a direita (mais ou menos) e faz o mesmo ao PSD de Rio. Olha para trás e acha que consegue apagar todos os vestígios tóxicos de Sócrates. E só lhe interessa falar de um futuro promissor. Está cego e mouco sobre assuntos que não tenham a ver sobre a sua elogiada habilidade ou tacitismo político. Caso contrário tinha percebido os recados de Marcelo (nos jornais, nas televisões e na Assembleia). E todos os alertas sobre uma nova e bem possível tragédia anunciada, entre as sucessivas manchetes do Público e a guerra de alecrim e manjerona da Proteção Civil com a Liga dos Bombeiros.

    Entre aquilo a que o seu ministro chama a “excitação do dia-a-dia”, a informação sobre o combate aos fogos continua a ser de facto “péssima” sr. primeiro-ministro. Mas apenas porque, 327 dias depois, o seu Governo não tem outra para dar.

    Só mais duas ou três coisas

  • Nunca o gesto de Manuel Pinho no Parlamento fez tanto sentido. Foi por causa dele (Pinho), que três anos e meio depois, de repente, toda a gente descobriu que tinha sido enganada por Sócrates. Uma vergonha de facto. Sobretudo falta dela. Mas pelo menos ficámos a saber que ou estamos perante um bando de ingénuos ou de hipócritas. Dos que nos governaram aos que os apoiaram.

    • Quase dois terços dos processos por corrupção foram arquivados em 2017. Houve cinco condenações e duas absolvições em 408 processos-crime julgados. Autarquias, polícias e serviços de saúde estão na lista negra. Estes não são meros dados do Conselho de Prevenção da Corrupção. São o retrato do País. Que só duas pessoas tenham falado do tema no 25 de Abril é elucidativo sobre as preocupações dos nossos políticos.

    https://observador.pt/opiniao/327-dias-depois-esta-tudo-na-mesma/

    Caso Manuel Vicente

    PERGUNTAS & RESPOSTAS

    Se Manuel Vicente acabar por ser julgado em Angola, quando é que tal poderá acontecer?


    Só a partir de Setembro de
    2022, ou seja, cinco anos depois de ter deixado o cargo de vice-presidente angolano.


    É o que prevê a lei daquele
    país. Mas antes disso Manuel Vicente pode vir a beneficiar de amnistia.

    Quais as suspeitas que recaem sobre Manuel Vicente?


    Em 2011 terá pago dinheiro
    e arranjado um emprego no sector privado ao procurador do Departamento Central de Investigação e Acção Penal Orlando Figueira para que este arquivasse um processo que tinha em mãos, no qual o então presidente da Sonangol e futuro vice-presidente de Angola era suspeito de ter usado dinheiro proveniente de crimes na compra de um apartamento de luxo no Estoril.


    A transferência do processo
    de Manuel Vicente para Angola significa o fim do julgamento da Operação Fizz?


    Não: o processo relativo aos
    restantes três arguidos que estão a ser julgados desde Janeiro em Lisboa mantém-se.


    Por que é que Manuel
    Vicente não está também neste julgamento?


    Porque as autoridades
    angolanas se recusaram sempre a notificá-lo da acusação e da sua condição de arguido, uma vez que como ex-vice presidente angolano tem direito a imunidade durante cinco anos.


    Por que é que o Ministério
    Público não vai recorrer da decisão da Relação de Lisboa?


    Porque diz que entende que
    ela não é passível de recurso.


    Ana Henriques

    Público • Sexta-feira, 11 de Maio de 2018

    Vermelho: curiosidades!!!

    VERMELHO

    O: 50 CURIOSIDADES INTERESSANTÍSSIMAS QUE VOCÊ NÃO SABIA SOBRE A COR

    Já parou para pensar no significado que as cores tem em nossa vida? O vermelho, por exemplo, remete a felicidade, fortuna, força, amor, paixão, energia, poder, excitação. A verdade é que há muito mais sentimento nas cores do que imaginamos.

    O vermelho foi a primeira cor que o homem batizou e é a mais antiga denominação cromática do mundo. Hoje trazemos 50 curiosidades que você não sabia sobre a cor. Leia, informe-se e divirta-se:

    1) É a primeira cor que os bebês enxergam, além de ser a primeira ensinada às crianças, por isso a maioria acaba citando ela como favorita;

    2) Em muitas línguas, até hoje significa “colorido”. Como exemplo, a palavra hispânica “colorado” = vermelho;

    3) O vermelho é a cor que traz as duas energias mais vitais para o homem: o fogo e o sangue;

    4) A igreja católica usa o vermelho para simbolizar o sangue e a vida de Jesus. As batas dos sacerdotes, o manto do altar são do mesmo tom nos dias em que comemora-se a Paixão de Cristo, o Domingo de Ramos, a Sexta-feira santa;

    5) Quando acreditava-se que a terra era plana, o entardecer era considerado as chamas incandescentes do inferno. Sempre que o calor do Sol ameaça a vida, a cor passa a ser “demoníaca”, destrutiva;

    6) No Budismo, o vermelho coral, em particular, é uma cor capaz de transformar a enorme força da paixão na sabedoria necessária para a meditação;

    7) Acredita-se que a cor afasta doenças. Quer exemplos? Antigamente, pacientes depressivos eram levados para quartos vermelhos para se animarem, contra erupções fazia-se compressa se pétalas de rosas vermelha, contra escarlatina as pessoas eram vestidas dessa cor;

    8) Vermelho também é amor. Por isso pintamos os corações com o tom e ganhamos rosas da cor. Tudo isso porque a nossa pele se torna avermelhada quando vemos ou sentimos paixão por algo ou alguém;

    9) Diz-se que um pano vermelho deixa o touro bravo. O que os deixa louco realmente é a lança do picador e o balanço do pano pelo toureiro. A cor da toalha poderia ser azul, não faria a menor diferença. A razão para ser vermelha, é que cruelmente, ela evita que se veja o sangue do animal;

    10) Nos países frios, onde se busca o calor, o vermelho tem conotações positivas. Pintar um quarto de vermelho pode dar a sensação térmica de 6º acima do que realmente está. Então, se você mora em um lugar bem frio, pode ser exatamente isso que a sua casa precisa!

    11) Na China, é a cor mais popular, significando alegria e fortuna. A maioria dos restaurantes chineses são decorados com o tom, as noivas também se casam de vestido vermelho, vão morar em casas com paredes vermelhas e as crianças quando nascem se vestem principalmente dessa cor. A festa de ano novo deles também é toda vermelha;

    12) Quando tudo fica colorido demais, a primeira cor que nos incomoda é o vermelho;

    13) Na Índia, uma crença diz que se enfeitar com essa tonalidade traz fortuna e prosperidade ao casamento. Vestir-se de vermelho ou pintar um símbolo vermelho na testa (bindi) também sinaliza que uma mulher é casada;

    14) Homens e mulheres gostam igualmente do vermelho, e só 4% citam a cor como “a que menos agrada”;

    15) É a cor da felicidade. (Por isso o slogan da Coca-Cola!);

    16) Em todas as línguas existem nomes de pessoas que significam “vermelho”: Rufus, Roy, Robinson, Roger, Rudolf, Roberto, Scarlet, Ruby, Susana são alguns;

    17) Homens e mulheres enxergam o vermelho de maneira diferente. As mulheres enxergam mais variações dos tons, por causa do cromossoma X;

    18) Existem 105 tons de vermelho catalogados. Embora suas matizes sejam semelhantes, os verdadeiros artistas sabem a diferença entre o vermelho cádmio e o carmesim;

    19) Vermelho é usado contra o mau-olhado. Esta aí a explicação das fitinhas do senhor do Bonfim, das fitinhas amarradas em crianças recém nascidas, da pimenta vermelha, tudo para espantar os invejosos. Dizem até que chapéuzinho vermelho usava o chapéu dessa cor para se proteger do lobo mau;

    20) É oficialmente a cor dos extrovertidos. Não tem como ficar em segundo plano!

    21) É luxo. Do tapete vermelho à burguesia que vestia antigamente: os reis eram coroados vestidos de vermelho, óperas ou teatros eram decorados com a cor significando nobreza, já que na época era caríssimo tingir tecidos de vermelho;

    22) Por falar em tecidos, eles eram tingidos com a tonalidade antigamente através de um corante que era obtido por um inseto-fêmea (cochonilha, um tipo de piolho). E pasme: até hoje as cochonilhas estão presentes em medicamentos, alimentos e bebidas como iogurtes e sucos, no Campari, em blushes e até em batons. Os insetos são triturados e reduzidos a um pó seco que dá a cor. Leia no rótulo “carmim”, encontre “cochinilha”, digite a palavra no Google e nunca mais coma nada com isso;

    23) Guerreiros usavam a cor ou se pintavam de vermelho na guerra. Também é a cor dos uniformes de várias guardas (como a da Rainha da Inglaterra) porque permite avistar de longe o inimigo;

    24) Segundo estudos, casais que pintam seu quarto de vermelho efetivamente brigam mais. Estudos sugerem que isso acontece porque ambientes vermelhos deixem as pessoas mais agressivas;

    25) As reações das pessoas são 12% mais rápidas em um ambiente vermelho. Testes científicos garantem que a cor aumenta a pressão arterial e o batimento cardíaco;

    26) Tanques de gasolina de carros vermelhos consomem 3% a mais de combustível do que brancos. Cores mais escuras absorvem e retém mais calor;

    27) O medo da cor vermelha tem nome: eritrofobia;

    28) Apenas cerca de 1-2% da população tem a cor do cabelo naturalmente vermelho;

    29) Pimentões e frutas vermelhas são ricas em betacaroteno e vitamina C, ótimos antioxidantes naturais e bons protetores da saúde do coração;

    30) No Japão, há morangos completamente brancos que tem sementes vermelhas. Eles são chamados de “Hatsukoi no kaori” (Scent of First Love);

    31) Antigamente, o vermelho era conhecido também como a cor do pecado. O inferno é vermelho, os bordéis idem e a cor usada por mulheres era “coisa de vagabunda”. Tudo porque no Novo Testamento, há a descrição da “mãe das fornicações”, uma mulher totalmente vestida desse tom. De qualquer maneira, não há nenhuma base histórica para se depreciar a cor dessa maneira;

    32) Na Idade Média, as mulheres ruivas temiam ser queimadas como bruxas, sobretudo na Alemanha e Espanha, países onde essa cor de cabelo era exceção. Uma criança ruiva cujos pais não fossem ruivos, trazia desconfiança. Diziam que o demônio havia feito a troca;

    33) Animais como raposas e esquilos também eram tidos como animais do demônio. Na Inglaterra antigamente, o esquilo curiosamente era o animal símbolo das prostitutas;

    34) No Renascimento, quando a moda feminina exigia decotes, as mulheres maquiavam de vermelho o seu colo, já que a cor também era usada na boca e nos lábios para parecer mais passional. O esmalte acabou surgindo apenas em 1924, no ano em que Peggy Sage introduziu o produto no mercado americano;

    35) Vermelho é a cor da bandeira da liberdade, do movimento operário, do socialismo e do comunismo, do nazismo de Hitler e da suástica. É uma cor frequente nas bandeiras de todo o mundo porque flâmulas assim são mais vistosas;

    36) Todas as correções na escola são feitas com caneta vermelha. Com ele, os preços são reduzidos, anunciam-se liquidações e até cortes no orçamento. A conta também fica no vermelho. Os números nessa cor são sinais de alerta;

    37) Monges budistas ordenados usam em seus trajes o vinho, símbolo da pobreza, porque tecidos vermelhos escuros eram os mais baratos antigamente na Caxemira;

    38) Para um refrigerante estimulante como a Coca-Cola, nada melhor do que usar vermelho! Por isso, marcas de cigarro como Marlboro também se apropriam da cor, passando a imagem de “consumidores mais dinâmicos”;

    39) Cor primária e básica, na teoria das cores, o vermelho não pode ser obtido da mistura de outras cores. Ele completamente puro, não contém partículas de amarelo nem de azul;

    40) Quando os homens da caverna pintavam as paredes rochosas, usavam os tons “vermelho terra”. O pigmento vinha de terras que tinham óxido de ferro, substância resistente à luz e ao tempo;

    41) A cor mais presente na publicidade. Uma informação impressa em vermelho desperta, em termos visuais, mais atenção do que algo impresso em preto, mas por parecer propaganda, a chance de ser lida é menor, além de ser mais difícil de enxergá-la;

    42) É a cor do perigo. Placas e alertas são neste tom justamente porque impactam nossas emoções e chamam a atenção instantaneamente;

    43) Animais não distinguem vermelho e o verde, apenas alguns pássaros enxergam a cor para polinizar flores tropicais;

    44) É a mais dinâmica das cores, de todas as paixões, sejam elas boas ou más, do amor ao ódio;

    45) Vermelho pertence ao signo de Áries e de Escorpião. Esses signos tem como planeta, Marte, o deus da guerra, portanto, “a cor do sangue”. Ele é chamado de planeta vermelho justamente por isso;

    46) Vermelho também é a cor da justiça. Durante séculos, as sentenças estabeleciam que sangue com sangue se paga. Nas cidades medievais, bandeirolas da cor eram içadas nos dias de julgamentos. O juiz assinava as sentenças de morte com tinta vermelha e os carrascos se vestiam da mesma cor;

    47) A lagosta tem um pigmento natural que dá cor a casca chamado astaxatina. Quando ela está viva, esse pigmento forma um complexo com o a-crustacianina, proteína que faz a casca parecer verde, marrom ou azul. Quando ela é colocada na água quente, o a-crustacianina se decompõe, revelando o clássico vermelho vistoso conhecido na culinária;

    48) Nenhuma cor se adequa tanto aos carros de corrida como o vermelho. Muitos acreditam que sejam por motivos psicológicos, outros acreditam que por influência da Ferrari, a fabricante dos carros mais velozes do mundo. Seria um feliz acaso?

    49) Entre num ambiente vermelho e a cor influenciará a sua batida cardíaca, o nível de adrenalina e a pressão arterial, estimulando o estado de vigilância. Mas calma! Depois de um tempo o corpo normaliza esses efeitos físicos, baixando a pressão a um nível saudável;

    50) Como resultado de um processo hormonal, o sangue flui para os lábios quando os humanos ficam excitados, deixando-os mais coloridos e intensos. Diz-se que o batom vermelho reproduz esse mesmo efeito, por isso são ligados a sedução. Mas uma coisa é fato: toda mulher fica bonita ao usar essa cor independente de qualquer teoria!

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