Etiqueta da fruta que começa com 8, NÃO COMPRE!

Etiqueta da fruta começa com 8(OITO)

NÃO COMPRE!

Se encontrar fruta ou vegetais com a etiqueta que começa pelo algarismo 8,

NÃO COMPRE!

Saiba o que isso significa…

É importante que saiba o significado do algarismo 8 no início do número, e depois disso de certeza que vai olhar mais para os rótulos das frutas e vegetais, e evitar comprar os que começam por 8!

Algumas informações importantes podemos encontrar não só nas embalagens dos produtos confeccionados, mas também nas etiquetas daquelas frutas.

As etiquetas não servem somente para colocar o logótipo da empresa, mas também para indicar o modo de cultivo das frutas ou verduras.

Veja como distinguir produtos cultivados com agrotóxicos, biológicos ou modificados genèticamente.

As etiquetas têm um código chamado PLU que indica o modo de cultivo.

Se a etiqueta tem 4 algarismos foi cultivado de maneira tradicional, com pesticidas e fertilizantes.

Neste caso o número indica simplesmente o produto vendido: o 4011, por exemplo, são as bananas.

Se na etiqueta estão cinco algarismos e o primeiro é 8, o produto é OGM (Organismos Geneticamente Modificados).

Por exemplo uma banana geneticamente modificada terá o número 84011.

Se a etiqueta tem cinco algarismos e o primeiro é 9, o produto vem de cultura que não usa pesticidas.

Uma banana cultivada biologicamente terá o código 94011.

Existem alguns alimentos que estão muito mais sujeitos a tratamentos químicos: Veja quais são a seguir.

  • Morango
  • Maçã
  • Pêssego
  • Uva
  • Cereja
  • Espinafre
  • Tomate
  • Pimento

E outros que dificilmente são tratados quimicamente:

  • Abacate
  • Milho
  • Abacaxi
  • Ervilha
  • Cebola
  • Espargo
  • Manga
  • Papaia (Mamão)
  • Kiwi

A partir de agora, fique de olho na etiqueta! É para o seu bem! Compartilhe essa informação com seus amigos e familiares.

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Divida Publica.

Dívida governamental ou dívida pública é o termo usado para descrever o endividamento de qualquer divisão administrativa, desde uma vila até um país. A dívida do governo de um dado país também é chamada por vezes de dívida nacional. Wikipédia

    Aumento da dívida em clima de austeridade

    Houve alguns factores, desde o início do programa de ajustamento financeiro que se deu início em 2011, que fizeram crescer a dívida pública, mesmo tendo havido corte da despesa. Eles são essencialmente três:

  • Tendo havido recessão (à data de 2014, um decréscimo de cerca de 7% do PIB desde que começou a crise das dívidas soberanas) e sendo a dívida apresentada como um rácio onde no denominador consta o PIB, esse rácio aumenta exactamente porque o PIB diminui.

  • Uma boa parcela da dívida até 2011 estava “oculta“, pois apesar de tecnicamente ser pública, pois era devida por empresas públicas (Metro, CP, Carris, REFER, etc.) ou de empresas no perímetro do Estado, a mesma não era apresentada na contabilidade oficial da dívida. Desde 2011 que essa dívida tem passado gradualmente para o domínio do Tesouro, ficando as empresa públicas obrigadas a financiarem-se junto do Orçamento de Estado e não da banca comercial. A título de exemplo, à data da assinatura do memorando, só a dívida das empresas de transportes públicos rondava 17 mil milhões de euros, cerca de 10% do PIB.

  • Tendo o BCE, a Comissão Europeia e o FMI emprestado a Portugal cerca de 78 mil milhões de euros (47% do PIB), aquando do memorando de entendimento, esse mesmo valor foi sendo gradualmente adicionado à dívida pública.

    Tende-se a concluir que a subida da dívida pública relativamente ao PIB desde o início do programa de ajustamento, deve-se principalmente ao efeito acumulado da recessão, iniciada em 2009 e terminada em 2014, combinada com vários factores, tais como a reforma do Sistema Europeu de Contas Nacionais e Regionais introduzida em 2013, que levou à contabilização de dívidas ocultas de parcerias publico-privadas e de dívidas de empresas públicas,[6]e o início de pagamentos de parcerias publico-privadas contratadas governos anteriores mas cujo início dos pagamentos tinha sido remetido para os anos seguintes.[7]

    Dívida pública de Portugal, valor bruto até 2006, e distinção da parte líquida e dos depósitos de 2007 em diante.

    Em 2014, aquando do fim do programa de assistência financeira, o XIX Governo Constitucional de Portugal também contribuiu para um aumento da dívida pública ao tomar a decisão de reter uma parcela do dinheiro concedido ao abrigo do programa para constituir uma almofada de liquidez para fazer face a despesas futuras, de maneira a permitir evitar recorrer ao mercado em condições desfavoráveis para o estado português.[8] Em Março de 2015, a almofada financeira acumulava 24 mil milhões de euros[9] mas no final de 2015 os depósitos da Administração Central ficaram em apenas 13.25 mil milhões de €, o que levou à descida da dívida bruta para 129,0% do PIB. A dívida líquida só começou a descer em percentagem do PIB em 2016, mas como houve um aumento dos depósitos para os 17,28 mil milhões de €, isso fez com que o total da dívida bruta voltasse a subir para os 130,5% do PIB, segundo os dados do Banco de Portugal.Wikipédia

    A tese

    Pedro Silva Pereira e Eduardo Catroga trocam cartas, quatro anos depois, acusando-se de serem os responsáveis pela chamada da troika e pela negociação do resgate. Quem tem razão? Fact Check.

    14/9/2015 – David Dinis

    Pedro Silva Pereira alega que o resgate só aconteceu porque o PSD chumbou o famoso PEC IV em Abril de 2011, inviabilizando o programa que negociou com a Comissão Europeia e com Angela Merkel. Mais, diz que o PSD foi parte importante das negociações, mostrando para isso entrevistas de Eduardo Catroga (do PSD) chamando a si os louros da negociação. O objectivo é colocar nas mãos do PSD a responsabilidade total pela troika, da sua chamada à sua execução.

    Os factos


    • O PEC IV não tinha de ser votado na Assembleia. Foi-o porque José Sócrates (já sabendo da oposição do PSD), quis apoio político para um novo programa de austeridade que, acreditava, salvaria o país por ter o acordo da Comissão Europeia, Conselho Europeu e BCE.

      Antes de o entregar em Bruxelas, porém, Sócrates teve uma só reunião com Passos Coelho – a quem pediu apoio para o documento. E não falou dele ao Presidente da República, que soube da sua existência através de uma comunicação pública de Teixeira dos Santos.

    • A esmagadora maioria das medidas do PEC não tinham de passar pelo Parlamento. Tratava-se sobretudo de medidas de corte de despesa, que podiam ser decretadas pelo Governo, sem que os deputados tivessem “reserva de soberania” – ou seja, uma palavra a dar.

    • Sócrates não tinha de se demitir por causa do chumbo do PEC IV: o que foi a votos foi uma resolução do Conselho de Ministros – e um Governo só cai automaticamente com uma moção de censura ou com o chumbo de um orçamento;

    • É verdade, porém, que o Governo de Sócrates perderia, com esse PEC IV, qualquer apoio político na Assembleia. Depois de Ferreira Leite ter viabilizado o primeiro orçamento da legislatura em Março de 2010; depois de Passos ter aprovado as primeiras medidas de austeridade de Sócrates em Junho do mesmo ano; depois de o PSD se ter abstido no Orçamento de Estado para 2011, Passos deixou claro na noite em que foi conhecido esse documento que não daria mais apoio às medidas do Governo minoritário do PS. Como o CDS, o PCP e o Bloco de Esquerda se recusaram a fazê-lo desde o primeiro momento, Sócrates teria fim à vista em outubro, cinco meses depois, com o Orçamento seguinte.

    • Mas é possível argumentar que podia ter executado medidas até lá, tentando provar que aquele documento seria suficiente para tirar Portugal da linha de fogo.

    • Outra questão central é saber se o PEC IV conseguiria evitar o resgate – e para isso há leituras diversas. Portugal começou a estar sob fogo dos investidores a meio de 2010, antes do primeiro resgate grego. Isso aconteceu muito por contágio deste, mas também porque países como Portugal, a Irlanda e Espanha tinham aumentado muito a sua dívida pública, sem conseguirem ritmos de crescimento que permitissem antever a sua capacidade de a pagar. Desde aí até março de 2011, os juros da dívida em mercado secundário dispararam,

    • levando a que também as emissões de dívida do Estado fossem feitas a montantes muito elevados.

    • Nos meses seguintes, o Estado teria de voltar ao mercado de dívida com somas muito avultadas – largamente suplantando o que estava orçamentado. E sem financiamento, o Estado estrangularia. Nem o PEC inicial, nem a segunda ou terceira versão foram suficientes para devolver confiança sobre a capacidade de Portugal se financiar.

      Sócrates apostou tudo, por isso, em negociações secretas com a Comissão Europeia e com conhecimento do BCE. A ideia era ter um programa de austeridade robusto que, tendo a luz verde das instituições europeias, colocasse o BCE a financiar indiretamente a dívida portuguesa (para além do que já fazia com os bancos, que compraram dívida pública como nunca antes). Na verdade, esse passo ousado do BCE só chegou em 2012, dois anos depois, quando Mario Draghi ameaçou fazer “tudo” o que fosse preciso para salvar estados em perigo (de novo a Grécia). Só este ano o BCE implementou o Quantitative Easing, baixando juros de toda a periferia, mas sob mote de uma inflação que há muito estava próximo do zero.

      Voltando à questão: chegaria o PEC IV para baixar os juros e impedir um resgate? A maior parte dos economistas não acredita. Mas Sócrates e o PS poderão sempre argumentar que nunca vamos saber. E também podem argumentar que Passos Coelho, sempre que negociou ou quando ‘chumbou’ o PEC IV, argumentava que o fazia porque era preciso acabar com a austeridade, que pesava muito e não estava a resolver o problema. Para Passos, nessa altura, a mudança de Governo ajudaria a resolver o problema.

    • Outra questão, levantada por Silva Pereira: o chumbo do PEC IV ditou a inevitabilidade do resgate? A resposta correta seria que a demissão do Governo e a inexistência de um acordo sobre as medidas futuras levaram, sim, a uma bola de neve: as agências rating, que já tinham descido alguns degraus a nota do país, colocaram-no na categoria de lixo; os custos de financiamento subiram ainda mais; o financiamento do Estado tornou-se impossível. Mesmo assim, Sócrates tentou resistir. E só a intervenção de Teixeira dos Santos, então ministro das Finanças, permitiu evitar que o Estado entrasse em falência. Sócrates cortou relações com ele, mas Teixeira dos Santos acabaria por receber (por isso) uma condecoração do Presidente Cavaco Silva, no último 10 de junho. “É um reconhecimento de que fiz o que era importante para o país”, disse o ex-ministro nesse dia.

    • E, afinal, quem negociou com a troika? Quando chegaram a Portugal, os representantes das três instituições quiseram reunir com os vários partidos. Havia eleições à frente e pretendiam garantir o máximo consenso, para não existirem dúvidas sobre a aplicação do programa que fosse negociado. Só o PCP e Bloco se recusaram a sentar-se à mesa antes do acordo.

      Eduardo Catroga foi designado por Passos como chefe da equipa do partido. A reunião foi muito longa, com Catroga a descrever a sua visão do que devia ser o programa exaustivamente (embora Passos Coelho diga agora que a reunião só durou uma hora). Depois disso, os contactos oficiais com a negociação passariam a acontecer através de Pedro Silva Pereira, que se comprometeu a dar conta da evolução das negociações a todos os partidos.

      Acontece que Eduardo Catroga não esperou. E começou a enviar para os jornais cartas públicas, pedindo dados e esclarecimentos adicionais ao Governo socialista, fazendo-lhe várias críticas. Silva Pereira decidiu responder-lhe por carta – e deixou a partir daí o PSD de fora dos seus contactos oficiais. Isso não quer dizer, porém, que o PSD não tenha tentado influenciar as negociações. As cartas de Catroga eram pressão para encaminhar o documento para o que o partido entendia ser melhor; e os contactos de alguns elementos do PSD com pessoas da troika (como de Carlos Moedas com António Borges, à época responsável pelo FMI na Europa) eram frequentes.

    • Mas o que diziam, então, as cartas de Eduardo Catroga a Silva Pereira?

      A primeira foi a 20 de abril e dizia que o PSD considerava “ultrapassadas as projecções de base incluídas no PEC 4”, que estavam a servir de base às negociações – vistas como irrealistas e incumpríveis (devido a factores como as empresas públicas, os efeitos do BPN ou a suspensão das medidas previstas pelo Governo, logo que a demissão aconteceu;

      Seis dias depois, Catroga reforçava o pedido de mais informação ao Governo. Informações que dizia serem “essenciais para o devido acompanhamento do processo negocial. E acrescentava que “até à data, ainda nenhuma informação” tinha sido prestada sobre o estado financeiro de empresas públicas, das PPP;

      Dois dias passados, outra missiva, pedia”as informações necessárias para um cálculo sólido, baseado em pressupostos realistas e completos, das reais necessidades de financiamento do País para o período 2011-14″. Silva Pereira já tinha respondido, dando alguns dados, mas Catroga dizia que “a informação prestada [era] escassa, incompleta e pouco tempestiva.”

      A troca epistolar voltava a 2 de maio: “Senhor Ministro, estamos a 2 de Maio e o PSD não recebeu a devida informação. A responsabilidade pelo facto tem de ser imputada ao Governo, e só ao Governo.”

    • Como é que tudo acabou? Do ponto de vista político, o PSD e o CDS foram-se distanciando da versão final. Mas acabaram por enviar uma carta à troika, comprometendo-se a cumprir as metas fixadas, mas pedindo flexibilidade para melhor escolherem, depois das eleições, as medidas a aplicar.

      Eduardo Catroga deu uma conferência de imprensa mostrando-se feliz por ter influenciado o resultado final. Em quê? Por exemplo, na trajetória definida para o défice (mais estendida do que no PEC IV), também no facto de o memorando não tocar nas reformas de invalidez. Eis o que dizia Catroga nessa noite:

      “Nas medidas de austeridade do PS não se falava na necessidade de reduzir o gordo Estado paralelo, falava-se em privatizações, mas que eram sempre adiadas, não se falava em produtividade, em competitividade. Portanto, nós temos agora uma oportunidade única. Penso que o PSD, através da equipa que eu chefiei, deu um grande contributo para este processo. Portugal vai ter aqui uma oportunidade de fazer as reformas que se impõem, para dar esperança aos portugueses, para dar esperança à juventude”.


    • Já agora, vale a pena lembrar que os partidos disputavam, nessa altura, os louros da negociação. José Sócrates, neste mesmo dia e com Teixeira dos Santos atrás, de braços cruzados em baixo, fez uma intervenção orgulhava-se de uma negociação que pouca mais austeridade tinha do que o famoso PEC IV.

    A conclusão

    Enganador (muito). O resgate não aconteceu porque o PSD chumbou o PEC IV, mas porque Portugal apresentava condições de financiamento cada vez mais apertadas desde o meio de 2010, não conseguindo com as sucessivas medidas de austeridade dar a confiança aos investidores de que o país conseguiria pagar as suas dívidas. O que o PS pode argumentar, no limite, é o que o PSD não permitiu aplicar a última tentativa de evitar o resgate, que Sócrates negociou com Bruxelas.

    Quanto às negociações, não há dúvida de que o processo foi todo conduzido pelo Governo de José Sócrates, com (muito) pouca influência do PSD ou de qualquer outro partido. As entrevistas de Catroga à data, reclamando louros, eram pura propaganda política – como foi a declaração de Sócrates mostrando o memorando que, dizia, tinha evitado o pior.

    Um Presidente em fuga

    Não é Carles Puigdemont. Falo de Donald Trump, que saiu da América para uma longa e assustadora viagem pela Ásia.

    Nesta edição, a Ana Gomes Ferreira já explica para quem a viagem é assustadora: assessores, conselheiros e, no fundo, toda a West Wing. O susto é que Trump estrague tudo. Outra vez.


    Quase um ano depois da sua eleição,
    o Presidente foge da situação interna.


    Com a investigação ao “Russiagate”
    a chegar já à sua candidatura presidencial, com alguns republicanos a lançar uma ameaça sobre a sua presidência, com as sondagens a mostrarem quedas sucessivas e com a sua agenda política a afundar-se (até nas críticas das maiores empresas ao seu novo plano fiscal), Trump precisa de uma vitória diplomática para poder abrir o champanhe. Na história da América não faltam exemplos de Presidentes que se seguraram no plano externo para afirmar uma liderança. Lembra-se de Nixon em Pequim? O medo em Washington é que Trump nem a Nixon chegue.


    A fuga de Donald Trump é
    sempre uma fuga para a frente, tropeçando nas suas contradições —e na sua contradição com a tradição americana. Ontem, no El País, uma analista mostrava como Xi Jinping receberá Donald Trump: “Ao contrário dos Estados Unidos, a China apresenta-se agora como a grande potência defensora da globalização, do livre comércio, da luta contra as alterações climáticas.” Podíamos acrescentar alguns pontos: é Xi Jinping quem lança um Plano Marshall para toda a Ásia, é ele quem tenta controlar diplomaticamente a ameaça coreana, em contraste com a ameaça belicista que vem da Casa Branca. O líder fiável seria ele — não fosse a China ainda fiel às suas muito próprias tradições. A longa visita de Trump pela Ásia é uma incógnita, também, porque não preparou o jogo antes de sair de casa: não tentou uma solução para o confl ito no mar do Sul da China, não leva uma solução para o tratado de livre comércio. O que Trump leva é, aparentemente, uma mão-cheia de palavras. Umas metidas no bolso — aquelas que usava na campanha de há um ano, acusando a China de “violar a América” e de “roubar os empregos americanos”; outras tantas num caderno de notas, tiradas das aulas breves que vários membros do Governo e conselheiros lhe deram para minimizar os riscos de uma gaffe que deite, outra vez, tudo a perder. Não será fácil. São oito dias de viagem. E, só nos últimos dez, Trump fez 114 tweets — um dos quais a acabar com um dos mais sagrados princípios da democracia americana, o da separação de poderes. Bem vistas as coisas, pelo menos nisso será fácil um acordo com Xi.


    david.dinis@publico.pt

    LEIS E PRINCÍPIOS

    DEMONSTRADOS EMPIRICAMENTE

    “A apólice de seguro cobre tudo, menos o que aconteceu.”

    ( Lei de Nonti Pagam).

    “Quando estiveres só com uma mão livre para abrir a porta, a chave estará no bolso oposto.” (Lei de Assimetria, de Laka Gamos).

    “Quando suas mãos estiverem sujas de gordura, vai começar a ter comichão, pelo menos, no nariz.” (Lei de mecânica de Tukulito Tepyka).

    “Não importa por que lado seja aberta a caixa de um medicamento. O papel das instruções vai sempre atrapalhar.” (Princípio de Aspirinovisk).

    “Quando achas que as coisas começam a melhorar, é sinal de que algo te passou despercebido.” (Primeiro teorema de Tamus Ferradus)

    “Sempre que as coisas te parecem fáceis, é porque não entendeste todas as instruções.” (Princípio de Atrop Lado)

    “Os problemas não se criam, nem se resolvem, só se transformam.” (Lei da persistência de Waiterc Pastar)

    ” Quando correres para o telefone, vais chegar exactamente a tempo de ouvir que desligam.” (Principio de Ring A. Bell)

    “Se só existirem dois programas de TV que valha a pena ver, os dois passarão certamente à mesma hora.” (Lei de Putz Kiparil)

    “A probabilidade de que te sujes a comer é directamente proporcional à necessidade que tiveres de estar limpo.” (Lei de Kika Gadha)

    “A velocidade do vento é directamente proporcional ao esmero do penteado.” (Lei Meteorológica Pagá Barbero )

    “Quando, depois de anos sem a usares, decides atirar alguma coisa fora, vais precisar dela logo na semana seguinte.” ( Lei irreversível de Kitonto Kifostes)

    “Sempre que chegares pontualmente a um encontro, não haverá ninguém lá para o comprovar, e se ao contrário, te atrasares, toda a gente terá chegado antes de ti.”(Princípio de Tardelli e Esgrande La de Mora)

    LEIS BÁSICAS DA CIÊNCIA MODERNA:

    * Se mexer, pertence à Biologia.

    * Se cheirar, pertence à Química.

    * Se não funcionar, pertence à Física.

    * Se ninguém entender, é Matemática ou Filosofia.

    * Se não faz sentido, é Economia ou Psicologia.

    * Se mexer, cheirar, não funcionar, ninguém entender e não fizer sentido, é INFORMÁTICA.

    LEI DA PROCURA INDIRETA:

    * O modo mais rápido de encontrar uma coisa é procurar outra.

    * Encontras sempre aquilo que não procuras.

    LEI DA COMUNICAÇÃO:

    * Quando te ligam: se tens caneta, não tens papel. Se tiveres papel, não tens caneta. Se tiveres ambos, ninguém liga.

    * Quando ligas para números errados de telefone, eles nunca estão ocupados.

    * Parágrafo único: Todo corpo mergulhado numa banheira ou debaixo do chuveiro faz tocar o telefone.

    LEI DAS UNIDADES DE MEDIDA EM ROUPAS:

    * Se estiver escrito “Tamanho Único”, é porque não serve em ninguém, muito menos em ti…

    LEI DA GRAVIDADE:

    * Se consegues manter a cabeça fria enquanto à tua volta todos a estão perdendo, provavelmente não estás entendendo a gravidade da situação…

    LEI DOS CURSOS, PROVAS E AFINS:

    * 80% da prova final serão baseados na única aula a que não compareceste e os outros 20% serão baseados no único livro que não leste.

    LEI DA QUEDA LIVRE:

    * Qualquer esforço para agarrar um objeto em queda provoca mais destruição do que se o deixássemos cair naturalmente.

    * A probabilidade de o pão cair com o lado da manteiga virado para baixo é proporcional ao valor do tapete.

    LEI DAS FILAS E DOS ENGARRAFAMENTOS:

    * A fila do lado anda sempre mais rápido.

    * Parágrafo único: Não adianta mudar de fila. A outra é sempre mais rápida.

    LEI DA RELATIVIDADE DOCUMENTADA:

    * Nada é tão fácil quanto parece, nem tão difícil quanto a explicação constante do manual.

    LEI DO ADESIVO:

    * Existem dois tipos de adesivo: o que não cola e o que não sai.

    LEI DA VIDA:

    * Uma pessoa saudável é aquela que não foi suficientemente examinada.

    * Tudo que é bom na vida é ilegal, ou é imoral, ou engorda ou engravida.

    LEI DA ATRAÇÃO DE PARTÍCULAS:

    *Toda a partícula que voa encontra sempre um olho aberto”

    Demissão irrevogável de Portas foi combinada com Ricardo Salgado para fazer cair o Governo?

    O novo livro do jornalista e director-adjunto de Informação da SIC promete gerar polémica. Lança luz sobre as relações entre políticos e banqueiros e oferece uma nova explicação para a célebre demissão irrevogável de Paulo Portas em 2013: estaria o líder do CDS concertado com Ricardo Salgado, para fazer cair o Governo?

    Cristina Bernardo

    Refere logo no início que este livro tem como destino ser desmentido. Porquê?

    Porque algumas personalidades aqui retratadas não vão poder admitir que as coisas se passaram exatamente assim. Não é fácil admitir aquilo que está escrito neste livro e que revela um tipo de atitude e de comportamento perante os problemas das instituições bancárias. Acho que ainda hoje isso constitui um incómodo para muita gente, a começar pelo Dr. Paulo Portas.

    Pode ser mais específico?Este livro tem duas partes. A primeira é tentar perceber por que houve atitudes, ao nível da política, que aparentemente tiveram uma justificação. Mas que depois, quando começamos a tentar perceber, constatamos que as peças não encaixam. Por exemplo, a “demissão irrevogável” de Paulo Portas, em julho de 2013, um dia depois de Vítor Gaspar ter pedido a demissão, quando no Governo já todos sabiam desde 2012 que o ministro das Finanças pretendia sair. Portas demite-se na sequência de um braço de ferro com Passos Coelho, que não estava completamente explicado na minha cabeça, porque Paulo Portas nunca apresentava políticas alternativas para subsituir aquelas que não queria permitir. Ele não aceitava as medidas de Passos e Vitor Gaspar, mas também não apresentava alternativas. E mais tarde, no final de 2014, princípio de 2015, ao falar com vários protagonistas do que foi a resolução do BES e dos acontecimentos políticos anteriores e posteriores, houve muita informação que me foi dada mas que na altura guardei porque não quis interferir direta ou indiretamente no processo eleitoral que viria a decorrer no final de 2015. Achei que algumas pessoas poderiam interpretar isso como uma tentativa de influenciar a discussão política num determinado sentido. Não quis correr esse risco e guardei a informação até hoje

    E quando começou então a trabalhar neste livro?

    No ano passado, comecei a escrever este livro e tentei juntar as peças do puzzle. Porque é que Portas se tinha demitido, aparentemente sem razões políticas para isso? Podia ter algumas, mas não seria uma justificação para sair assim. E no final de 2014, princípio de 2015, tive acesso a informação de vários protagonistas da altura, de histórias passadas antes, que me confidenciaram as razões que estariam por trás da demissão de Paulo Portas. Uma das pistas leva-me à existência de uma grande divergência sobre o tratamento a dar aos bancos e aos seus problemas. E na altura, em 2013, eu próprio não tinha percebido isso. Foi preciso acontecer o colapso do Grupo Espírito Santo (GES) e do BES, em 2014, para mais tarde, com essas fontes, começar a interpretar comportamentos. E de repente parece que o puzzle se encaixa. Afinal havia, para além de razoes políticas e partidárias, também razões relacionadas com os bancos e nomeadamente com o BES.

    Acredita nisso como um facto ou é uma hipótese que levanta?

    Vou responder da seguinte maneira: na nossa vida de jornalista – e nós trabalhamos na mesma área – quando há um rumor, o princípio é o jornalista nunca o mencionar. Mas há rumores que são vivos e atuantes, por exemplo, que podem influenciar a bolsa no sentido da queda ou de a fazer subir 20 ou 30%. E assim torna-se um facto em si mesmo. A verdade é que este tipo de confidências feitas pelas fontes existem e estão atuantes ainda hoje. Há muita gente com responsabilidades que fala desses tempos e que diz que houve algo mais do que uma divergência política. E o algo mais teria a ver com o tratamento a dar aos bancos e ao que poderia acontecer ao BES e ao GES. Essas fontes dizem claramente que haveria um entendimento entre o vice-primeiro ministro Paulo Portas e o banqueiro. Tanto assim é que, e essa é uma informação que ficou guardada até hoje – ou melhor, até há algumas semanas, pois entretanto José Maria Ricciardi, num interrogatório da “Operação Marquês”, acabou por referir esse facto -, Paulo Portas encontrou-se com Ricardo Salgado no dia a seguir à sua demissão, isto é, quarta-feira, 3 de julho de 2013. E porquê? É uma coisa que parece absolutamente desconexada com o resto. Ora se fizermos a ligação com o que as fontes disseram, só pode haver uma interpretação: haveria uma espécie de entendimento, acordo ou conjugação de interesses. Essa é uma das teses do livro. Esta é a primeira parte. É perceber o que foi a motivação dos políticos, dos reguladores e dos banqueiros, nomeadamente Ricardo Salgado.

    E a segunda parte?

    A segunda parte tenta classificar como foi que a classe política tratou os problemas dos bancos, alargando o leque e classificando os comportamentos e atitudes num período de dez anos, desde o surgimento da parte visível dos problemas do BPN, em 2007. E acho que essa classificação responde a essa necessidade que dez milhões de portugueses sentem: nas televisões e nos jornais, damos muitas notícias sobre o que se passou com os bancos. A maior parte dessa informação é de fonte segura, mas acontece que a maioria das pessoas, com tanta informação sobre realidades tão complexas, acaba por se perder. A segunda parte do livro tenta, por isso, classificar as atitudes dos políticos perante os problemas dos bancos. E chego à conclusão de que existem três períodos distintos: a primeira foi a de nacionalização, concessão de garantias do Estado e de integração de bancos com problemas noutros bancos, como o Finibanco no Montepio. Passado esse período, entramos no da troika e na célebre declaração de Deauville, em que os líderes europeus disseram que os problemas dos bancos deviam ser resolvidos pelos accionistas e a nível nacional. E portanto, na sequência disso, a política oficial passa a ser a de que os bancos em dificuldades têm de obedecer a uma hierarquia de responsabilidades, nos quais os donos do capital são os primeiros a responder e por aí fora até aos depositantes acima de determinado montante, tentando deixar de fora os contribuintes. Esse período corresponde à fase entre a intervenção da troika até ao período da “saída limpa”, em que os governantes e os reguladores foram os mesmos, Carlos Costa, Passos Coelho e Maria Luis, embora os dois últimos tenham dito que não tiveram nada a ver com o que se fez na banca, trataram de tudo e isso foi relatado no livro.

    As regras da resolução foram evoluindo na Europa e já não são as mesmas, atualmente. E aquela lei que foi transposta à pressa, na verdade, obedece a uma tendência europeia…

    Esse é o terceiro período que vem retratado no livro. Afinal, as leis europeias acabaram por não ser respeitadas. O caso do BES foi praticamente único na Europa, tirando um pequeno banco austríaco.

    Porque teve lugar numa fase de transição?

    Não só por isso. O que aconteceu é que os governos começaram a perceber que atribuir as responsabilidades a esta hierarquia de responsabilidades não uiria resolver os problemas. O que leva a que a própria Alemanha tenha fechado os olhos e tenha apoiado a forma de ajuda aos bancos do Véneto, em Itália, em que foram poupados os investidores com papel comercial. Traduzindo para Portugal, a conclusão do livro é que voltamos a um tempo em que Presidente da República, primeiro-ministro e governador – que mudou de posição entretanto – estão conjugados no sentido de dizer aos contribuintes: venham cá e tratem de pagar e bem. É essa a conclusão do livro.

    A certa altura pergunta no livro se a forma de intervenção no BES teria sido diferente, com Marcelo e António Costa no poder. É uma pergunta cuja resposta já conhece ou deixa em aberto?

    Sei a resposta. O que está no livro é um “se mais se mais se” e tem uma resposta, que é: não teria acontecido assim. E a fonte que o disse tem responsabilidades neste pais.

    O que teria acontecido?

    Teriam arranjado uma solução para recapitalizar o BES. E a minha dúvida é se teriam afastado ou não Ricardo Salgado. Essa fonte disse-me isto: teria havido outra solução. E das duas vezes em que fiz a pergunta, depois de longos segundos de pausa, acrescentou: mas não para manter Ricardo Salgado. Isto tem a ver com outra coisa, que é explicada no início do livro, que é o surgimento de uma estranha coligação de direita e esquerda, isto é, PCP, BE, PS, uma parte do PSD e sobretudo CDS, contra o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa (…). O governador é o bombo da festa, mas depois apareceu uma voz isolada, a de António Horta Osório, a dizer que o Carlos Costa foi muito corajoso. E porque é que destaco isso? Porque se não fosse a resolução e o modo como Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque não apoiaram a concessão de um empréstimo de 2,5 mil milhões de euros às empresas do GES, o grupo e o banco tinham disfarçado os seus problemas e provavelmentre Ricardo Salgado ainda hoje estava no poder. E isso seria um problema, porque mais tarde o grupo rebentaria anda com mais força e o lobby não teria saído do pais. Um lobby que foi muito prejudicial ao pais. Portanto Carlos Costa teve coragem, que pouca gente destaca, mas que a Historia um dia dirá. Horta Osório foi o único a dizê-lo em voz alta, pois é quem está fora do País que o pode dizer.

    Daí o titulo do livro?

    Sim, essa é uma das razões para o titulo “A vénia do país ao regime dos banqueiros”. A outra razão é que acabou por vingar a tese de que os contribuintes são chamados a pagar os problemas dos bancos.

    Mas as regras de intervenção nos bancos têm assentado na tese de que os contribuintes não devem ser chamados a colocar dinheiro nos bancos… é por isso que surge a figura da resolução.

    Só que o que acontece é que, no final da linha, os contribuintes são chamados de forma absolutamente esmagadora em relação à quantidade de dinheiro que é preciso empregar na resolução dos problemas dos bancos, como se viu no BES e no Banif.

    Segundo o livro, houve uma tentativa de evitar que Maria Luís Albuquerque fosse nomeada Ministra das Finanças, porquê?

    A minha interpretação é que nessa altura, e coincide com o que foi dito numa reunião com o primeiro-ministro por Paulo Portas, que diz que não queria um “Vítor Gaspar de saias”, já havia um cálculo antecipado que quando chegasse a hora de pedir ao Estado para ajudar o GES e o BES a resposta de Maria Luís iria ser não.

    Então o episódio da demissão irrevogável de Paulo Portas está relacionado com uma tentativa do líder do CDS de ajudar Ricardo Salgado?

    Só se torna claro mais tarde que essa guerra política podia ter outras motivações.

    Está a dizer que havia um lobby fortíssimo que queria forçar a demissão do Governo, ou pelo menos evitar a nomeação de Maria Luís Albuquerque para que quando o BES fosse lá pedir dinheiro houvesse um apoio?

    Sim. Tenho fontes a sustentar essa tese.

    Esse lobby incluia Paulo Portas?

    E parte do setor financeiro. Visto à posteriori, nessa altura [em 2013] Ricardo Salgado já sabia que o grupo estava com dificuldades e objetivamente as minhas fontes dizem que houve mesmo uma tentativa de condicionar a nomeação de Maria Luís Albuquerque, e chegou mesmo a haver um nome avançado: Paulo Macedo. Mas talvez se enganassem no cálculo, pois era mais provável que Paulo Macedo tivesse recusado intervenção do Estado na ajuda ao GES. O facto de Maria Luís ter ficado como Ministra das Finanças provocou a demissão de Paulo Portas e as minhas fontes dizem que desconfiam que o objetivo era que todo o Governo caísse e, quando nessa noite da demissão irrevogável Pedro Passos Coelho convoca a imprensa e faz uma declaração desconcertante, em que diz: “também eu fiquei surpreendido”. Como Passos Coelho não aceita a queda do Governo, não se demite e segue em frente mesmo sem apoio do CDS. Por sua vez, Cavaco Silva, enquanto Presidente da República, não deu relevo à demissão de Paulo Portas.

    Como reagiu Paulo Portas quando o confrontou com esta tese?Disse que era uma tese fantasiosa, fruto de uma imaginação prodigiosa. Mas não é possível separar o que aconteceu com o BES e GES dos factos politicos que o antecederam. Faço no livro uma ressalva a dizer que não escrevo este livro para julgar o carácter das pessoas nem para apontar defeitos, mas sim para tentar interpretar atitudes e comportamentos com base no critério da política partidária, mas pressupondo que haveria mais alguma coisa no mundo dos negócios e da banca. E o facto de um banqueiro que tem um grupo em dificuldades já saber naquela altura que ia necessitar de apoio, o que veio a acontecer pouco depois. É no fundo deixar a questão: e se os factos políticos de 2013 fossem por causa de um grupo económico e um banco que era dos maiores do país?

    Ou seja, a demissão irrevogável de Portas era para fazer cair o Governo de Passos Coelho?

    E para influenciar a escolha de um novo Governo que poderiam vir a ajudar a banca, nomeadamente o BES. Aliás, a própria mudança de liderança do Partido Socialista, vista à luz deste critério, poderá ter – eu não digo que tenha sido o único motivo – mas poderá estar relacionada com estas razões de ajudar o sistema financeiro.

    Mas a entrada de António Costa acontece tarde demais para Ricardo Salgado?

    Certo. Mas o principio da disputa do poder foi antes. Curiosamente António José Seguro, em determinada fase, que coincide com a altura em que são divulgadas as contas do Banco Espírito Santo, e se descobre que o banco tem um buraco enorme, começa a falar do conluio entre a banca e a finança e começa a criticar a promiscuidade entre os negócios e a banca, literalmente. Logo a seguir deixa de ser líder do PS e pouco tempo depois, Pedro Passos Coelho deixa de ser primeiro-ministro da forma que sabemos, mas isto, assumo que já estou a especular, a interpretar. Mas leva-nos a outra pergunta: teria o mundo da finança e o mundo dos negócios influenciado coisas que nós não sabemos? Como referi há pouco, o livro depois evolui para outra questão, com António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa teria sido diferente?

    Teria certamente sido diferente, desde logo porque Marcelo Rebelo de Sousa é amigo pessoal de Ricardo Salgado.

    O próprio o assumiu.

    Mas o desfecho do BES seria diferente?

    À partida sim. Até porque António Costa chega mesmo a fazer uma declaração pública em que atribui a responsabilidade do queda do BES a Pedro Passos Coelho, e ainda hoje mantem essa tese. Maria Luís Albuquerque veio responder dizendo, como é que é possível atribuir a um primeiro-ministro uma responsabilidade de um banco com os problemas que tinha o BES. Essa declaração a par com a postura do atual primeiro-ministro e Presidente da República reforça a ideia que com este Governo teria sido diferente. E eu estou convencido que seria diferente. Para António Costa, vale mais tentar resolver o problema de um banco, nem que seja com a ajuda de um contribuinte, do que deixar que os bancos rebentem e toda a economia seja prejudicada.

    E Carlos Costa?

    Curiosamente, mudando de posição face à altura em que decidiu a Resolução do BES, Carlos Costa nesta fase final aparece a apoiar todas estas medidas para a banca, como a Resolução [feitas pelo Governo de António Costa], já com custos para o contribuinte, e a recapitalização em 2,5 mil milhões da CGD, com dinheiro dos contribuintes, a defender a entrada das misericórdias no Montepio Geral, o que é uma forma indireta de a população ajudar a resolver os problemas da banca. É uma ajuda de Estado indireta. Esta matriz define o que António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa pensam para resolver os problemas dos bancos.

    O livro fala também da relação do BES com os jornalistas. As coisas mudaram com a queda de Ricardo Salgado?

    Mudaram. Mudou muito a relação da imprensa com as empresas e com o poder.

    As escutas e a investigações do DCIAP tiveram um papel importante nessa mudança?

    Não só. A sociedade tornou-se mais transparente e os próprios jornalistas também refletem isso. Mas eu conto no livro as reuniões de Ricardo Salgado com os jornalistas na neve e conto uma coisa mais complicada. Em 2011 a Ordem dos Economistas instituiu um prémio, integralmente patrocinado pelo BES, para jornalistas de economia, e foi nomeando mais ou menos sempre os mesmos, houve três que ganharam, e são jornalistas independentes que desvendaram muitas notícias do grupo e Ricardo Salgado fez assim um julgamento errado sobre a classe jornalística em Portugal, porque mesmo os que foram premiados não foram submissos ao BES. Nem os que foram a conferências no estrangeiro com o BES foram submissos.

    Outro assunto que tenta explicar é o das gravações do Conselho Superior que acabaram nos jornais…

    Durante muito tempo especulou-se quem é que teria difundido as gravações das reuniões do Conselho Superior do BES. Eu tenho uma tese no livro, fazendo a leitura a partir da análise a quem é que interessaria que o conteúdo das gravações fosse tornado público, a conclusão é simples: as gravações foram feitas já a pensar que poderiam vir a ser úteis no futuro e prevenir o que viria a acontecer em processos judiciais. E foi a defesa de Ricardo Salgado que aconselhou a que se fizesse isso e que se divulgasse. É cristalino. Basta ver a coisa ao contrário para se perceber. Porque o que se ouve das gravações é Ricardo Salgado a mostrar-se surpreendido que as contas da ESI tivessem um buraco. E coisas como “os tipos da Escom andaram-nos a aldrabar”. A quem é que interessa isso? A Ricardo Salgado.

    O livro começa com as ligações entre o BES e o CDS?

    O livro começa com a história da divergência públicas entre a liderança do PSD e a liderança do CDS/PP, e começa com perguntas por responder, tais como, porque é que Paulo Portas, no momento da passagem do testemunho a Assunção Cristas, num congresso do CDS, faz um ataque cerrado a Carlos Costa. Porque este ódio? A partir daí a minha tese desenrola-se sobre as possíveis explicações sobre o que terá havido entre o líder do CDS e Carlos Costa que decidiu tirar Ricardo Salgado do banco e aplicar uma medida de resolução ao BES. Uma das conclusões possíveis é que havia uma conjugação de interesses entre algumas pessoas do CDS, pelo menos, e o Grupo Espírito Santo. Mais tarde Paulo Núncio surge no centro de uma guerra que tem a ver com as transferências para offshores, em que de repente se descobre e ninguém registou. Terá havido alguma manipulação deliberada? Depois descobre-se que a maior parte das transferências para offshores foram do BES e uma pequena parte do Montepio. Esta realidade foi muito bem descrita pelo Jornal Económico, e os seus brilhantes jornalistas, que desvenderam uma coisa que parecia absolutamente inócua. Paulo Núncio talvez nem soubesse daquela manipulação do sistema informático. A verdade é que existiu no tempo em que lá esteve e eu não acredito que tudo aquilo tenha sido um acaso. É demasiada coincidência. Alguém quis que o sistema ficasse parcialmente inoperacional. Teria isso a ver com o interesse do grupo BES, de passar dinheiro para fora? E Paulo Núncio sabia ou não sabia? Fica a pergunta feita. Ele responde no livro.

    http://www.jornaleconomico.sapo.pt/noticias/demissao-irrevogavel-de-portas-foi-combinada-com-ricardo-salgado-para-fazer-cair-o-governo-211764#at_pco=smlwn-1.0&at_si=59f37fdf9e72b25b&at_ab=per-2&at_pos=0&at_tot=1