O aroma dos bons momentos

    Antes do típico chamamento para a mesa, é o perfume das ervas aromáticas que denuncia que o jantar está pronto. Afinal, é a criatividade da sua mistura que torna um prato simples numa refeição especial.

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    Numa cozinha que se preze não podem faltar as ervas aromáticas. Além de nos permitirem dar asas à imaginação e surpreender com novos sabores num prato habitual, a sua conjugação inteligente é a melhor forma de reduzir a quantidade de sal e criar os mais originais temperos.

    Quando a refeição eleita é um guisado, cozido ou prato de carne, o nosso melhor amigo é o tomilho. Com um sabor muito agradável, pode ser adicionado aos nossos pratos logo depois de colhido e lavado. Esta erva aromática anda muitas vezes lado a lado com o alecrim, que, fresco ou seco, também é apreciado em pratos de carne, como o porco, borrego, mas também em batatas assadas, manteigas aromatizadas, saladas, molhos e chás. Com um aroma inconfundível, também combina maravilhosamente com menta e gengibre.

    O louro nunca deve faltar na despensa, já que pode ser aplicado em quase todos os nossos cozinhados, especialmente em pratos de peixe, caça e com legumes como o feijão. Se se extrair a nervura central das folhas e picar as mesmas, produzem um efeito magnífico em molhos de natas e ovos.

    Originários do Alentejo, chegam-nos os coentros, cujo característico aroma eleva o prazer de saborear típicos pratos portugueses, como a carne de porco à alentejana.

    Para além destas, na cozinha portuguesa encontramos sempre o cebolinho, os orégãos, a hortelã, a salsa e o manjericão. Com benefícios que muitas vezes desconhecemos, vale a pena arriscar e apostar nestas ervas em vez do sal. Por exemplo, sabia que a salsa tem mais vitamina C do que laranja?

    O tomilho é um ingrediente perfeito para temperar massas e saladas.

    AS TRÊS DESCONHECIDAS.

  • tomilho

    Tomilho | Considerada um bom substituto do sal, é perfeita para guisados e cozidos, sopas e pratos de peixe.

  • poejo

    Poejo | Conjuga com açordas, caldeiradas de peixe, pratos de carneiro e caracóis.

  • cebolinho

      • Cebolinho | Tem um gosto a cebola e é ideal para saladas, sopas de tomate e molho tártaro.

      Recados para uma avó que vai ficar com os netos alguns dias em Agosto

      • A Matilde não come arroz. Diz que fica enjoada. Ainda não percebemos bem de onde vem isso, pensámos que fosse do glúten, mas ela só come arroz sem glúten. Aliás, ela não come glúten. A nutricionista naturopata recomendou. Também não come ovos de aviário.

      • Deixei um saco com comida para os miúdos. Arroz sem glúten, massa sem glúten, bolachas sem açúcar, alfarroba desidratada e biscoitos de aveia e quinoa dos Andes.

      • Não lhes dê bolos de pastelaria. Nem sumos de pacote. Nem leite de vaca. Nem chocolates. Nem leite com chocolate.

      • Eles não comem nada que tenha açúcar refinado. Eu sei que a mãe faz um bolo de cenoura ótimo, mas se fizer use apenas açúcar amarelo. Mas só metade da dose. E cenoura biológica.

      • Deixei também açúcar amarelo. É especial, extraído de cana-de-açúcar explorada de forma sustentável.

      • Se eles insistirem muito para comer doces, dê-lhes uma peça de fruta biológica. Ou um abraço.

      • O Pedro pode brincar com o iPad dele antes de ir para a cama. Mas não nos últimos 34 minutos antes de apagar a luz. É o que dizem os estudos mais recentes.

      • Se ele ensaiar uma fita por causa disso, não o contrarie de mais. Não lhe tire o iPad das mãos à força. Dialogue com ele. Convença-o. Queremos que os miúdos tenham capacidade de argumentação e não queremos contrariá-los de mais, para não serem castrados na construção da sua personalidade. No fim, dê-lhe um abraço.

      • O iPad é a única coisa electrónica que o Pedro tem. O psicólogo dele dizia que não devia haver tecnologia nenhuma até aos 12 anos. Mudámos de psicólogo e o outro diz que pode haver, desde que tenha jogos que estimulem a parte do cérebro onde se constroem as emoções. Como ficámos baralhados, arranjámos um terceiro psicólogo, que disse para fazermos o que quisermos.

      • Eles têm uma série de brinquedos de madeira e metal, feitos por artesãos velhinhos. Às vezes queixam-se que as rodas de lata não andam. Se for o caso, ajude-os a brincar com outra coisa qualquer, desde que não tenha plástico. Não queremos brinquedos de plástico.

      • Se forem à feira e eles quiserem comprar bugigangas nos vendedores, compre-lhes uma rifa. Ou uma maçã. Ou dê-lhes um abraço.

      • Todos os brinquedos devem ser partilhados. Não há brinquedo de menina e brinquedo de menino. Se o João quiser brincar com as bonecas de linho biológico da irmã, não há problema.

      • Se ele quiser vestir as saias dela, também não há problema. Não queremos limitar a identidade de género dos nossos filhos.

      • Há um saco com sabonete natural e champô à base de plantas medicinais sem aditivos químicos. Cheira um pouco mal, mas é ótimo para o cabelo.

      • Mandei também umas toalhas de algodão biológico. Use só essas quando forem para a praia. São as melhores para o pH da pele deles.

      • Todas as noites eles devem ouvir um pouco de música. Não pode ser o Despacito. O ideal é ser aquele CD de monges tibetanos. Aqueles sons são bons para o cérebro e para a digestão.

      • Se eles quiserem subir às árvores, podem subir. Mas devem dar um abraço ao tronco antes disso. De preferência, devem agradecer à árvore antes de subirem para cima dela.

      • Eles precisam de três abraços por dia. Pelo menos. Por favor não esqueça isso. E se puder, dê-lhes abraços de pele a tocar na pele. A energia positiva assim passa de forma mais eficaz.

      PS 1: Mãe, não se enerve depois de ler isto tudo.

      PS2: Cole este papel na porta do frigorífico, para não se esquecer de nada. Mas não use fita-cola, que isso tem plástico.

      Paulo Farinha

      Jornalista

      Leonor Poeiras "denuncia" quanto ganha um bombeiro em Portugal

      Só para relembrar… arriscam a saúde e a vida, salvam outras vidas e muitas florestas, não param, mal descansam e recebem 1,87€ por hora #nocomments #bombeiros #maisqueheróis #respect #pedrógãogrande #portugal

      Em todo o país, não se fala noutro assunto: o drama do incêndio em Pedrógão -, mas nem só nos corações dos cidadãos anónimos está o sentimento de dor e impotência. Nas redes sociais há uma inundação de mensagens de solidariedade e comoção, e diversas celebridades nacionais falam em apoio às vítimas do fogo que tem assolado as florestas.

      Entre as homenagens às vítimas e familiares, misturam-se os aplausos aos homens que combatem os incêndios – na maior parte, voluntários -, bem como os pedidos de ajuda e as críticas à precariedade das condições de trabalho que lhes são dadas. Um depoimento, em especial, ganhou destaque: Leonor Poeiras usou o Instagram para “denunciar” o baixo valor pago aos bombeiros de Portugal.

      “Só para relembrar… arriscam a saúde e a vida, salvam outras vidas e muitas florestas, não param, mal descansam e recebem 1,87€ por hora”, escreveu a apresentadora na legenda na partilha.

      De imediato, começaram a surgir seguidores que faziam eco às palavras de Leonor, concordando e lamentando a situação que chamam de “vergonha”. “Oh meu Deus, esses anjos estão super cansados e merecem todo nosso apoio (…)”, “Obrigada a todos os bombeiros pela coragem e esforço que têm para salvar vidas! (…)”, escreveu uma seguidora.

      Recorde-se que, até ao momento do fecho desta notícia, há cerca de 1100 bombeiros no terreno a combater o mais motífero fogo florestal de que há memória no país.

      CONSULTA E DIAGNÓSTICO PEDAGÓGICO

      Torturado por terríveis dores lombares, fui consultar um famoso ortopedista.

      Após analisar a radiografia, receitou-me anti-inflamatórios e teceu considerações a respeito da coluna, nervo ciático, etc., etc., tudo com uma contagiante simpatia e demonstração de profundo conhecimento profissional. Nunca entendi tão bem o porquê do substantivo “PACIENTE”, para definir o doente num consultório médico, como naquele dia; porque sim: é de todo bom senso e civismo, ouvir, com grata paciência e atenção, aquilo que alguém nos está a dizer, ordenar, sugerir e/ou aconselhar, para nosso exclusivo bem estar de saúde…

      Depois de ouvir, atentamente, todas as recomendações posológicas, perguntei como leigo que sou:

      – Doutor, o que fiz durante a minha vida, ou estou ainda a fazer, que possa ter originado estas dores?

      E ele, depois de olhar frontal e francamente para mim, respondeu com simpática convicção:

      – Aniversários meu amigo, aniversários!…

      Apontamentos notáveis para ter mais sucesso no estudo

      Sentar-se a estudar pode parecer uma tarefa aborrecida, e muito demorada, mas com um toque de cor e algumas novas e divertidas formas de aprender, poderá estar a caminho do sucesso nos exames.

      A parte mais complicada de rever a matéria é, muitas vezes, aprender como tirar bons apontamentos ou anotações. Se não forem claros, concisos e não tiverem detalhes suficientes, pode ficar com falhas naquilo que necessita de memorizar. Melhorar a capacidade de tirar bons apontamentos pode ajudar muito no futuro, e poderá até tornar-se em algo divertido. Para além disso, é também muito útil quando se tem que estudar para os exames.

      Ficam alguns truques e dicas para tornar o processo de fazer resumos mais agradável.

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      Quando se trata de fazer resumos, os marcadores fluorescentes são imprescindíveis para sublinhar a informação mais importante. Datas, horários e estudos podem ser destacados com um esquema de cores, de modo a estimular visualmente o processo de revisão e estudo. As cores também ajudam a lembrar-se mais facilmente de algo, por isso, utilizar cores diferentes nos seus apontamentos pode ser uma técnica de estudo bastante útil.

      Estruture as suas ideias

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      Se está à procura de maneiras mais criativas para tirar apontamentos ou escrever resumos, fazer gráficos ou estruturar as suas ideias num cronograma, estas podem ser formas muito úteis de passar ideias diferentes para o papel. Além de rever toda a informação que necessita, também adiciona várias cores e imagens que ajudam no processo de aprendizagem e mantêm a mente ocupada.

      Comece por escrever o tópico no centro da página e desenhe linhas para fora. Adicione informação mais específica no fim de cada linha e continue o processo até ter tudo o que necessita.

      Use e abuse dos post-its" width=

      Permitindo organizar, não só os apontamentos, mas também os seus pensamentos, post-its podem ser um bom auxiliar de estudo. Pode usá-los para criar diagramas maiores, ou apenas para resumir a informação de um determinado livro.

      Podem também ser colados em qualquer lado – ajudando a aprender  e estimular ideias por onde passar, seja pela casa toda, ou até mesmo na sala de aula. Podem ser também bastante úteis para marcar páginas específicas que precise de consultar mais tarde.

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      Apesar de muitas vezes parecerem apenas  rabiscos ao acaso, está comprovado que fazer alguns desenhos ajuda na concentração e a reter informação. Juntar uma pequena ilustração ou desenho ao seu resumo pode ser uma boa forma de tornar a informação mais interessante e apelativa, ajudar a compreender coisas mais complexas e melhorar a capacidade de memorização.

      Experimente usar canetas de cores diferentes para os desenhos, e faça-os de acordo com o que estiver a ler. Não é necessário ser um Picasso – é apenas um desenho que o vai ajudar no estudo.

      Existem várias maneiras de tornar o estudo mais divertido e fácil de recordar. Fazendo pequenas alterações como introduzir cores diferentes ou colocar um post-it, vão tornar o estudo mais visualmente apelativo. Melhorar a capacidade de tirar apontamentos irá também contribuir para o seu sucesso nos estudos.

      Atura-te a ti mesmo

      “Conhece-te a ti mesmo”, diziam os gregos. “Ama-te a ti mesmo”, recomendam os actuais gurus da auto-ajuda. São dois conselhos incompatíveis, pelo menos no meu caso. Ou bem que me conheço, ou bem que me amo.

      Ricardo Araújo Pereira

      “Conhece-te a ti mesmo”, diziam os gregos. “Ama-te a ti mesmo”, recomendam os actuais gurus da auto-ajuda. São dois conselhos incompatíveis, pelo menos no meu caso. Ou bem que me conheço, ou bem que me amo. Considerar ambas as sugestões ao mesmo tempo é impossível, e escolher apenas uma é inútil: a primeira tarefa é desinteressante e a segunda é imoral. Posto isto, tenho optado por andar a conhecer (e, inevitavelmente, a amar) os actuais gurus da auto-ajuda. Aprendi três conceitos fundamentais: devo acreditar em mim, não desistir dos meus sonhos, e pensar positivo. Até aqui, a minha vida era orientada por três princípios bastante diferentes: desconfia de ti, deixa-te de sonhos, uma vez que não és a Cinderela, e pensa. Estava tudo errado. Pensar não me permitia pensar positivo. Punha-me a pensar (creio que de forma neutra) e concluía que o pensamento positivo, isto é, a ideia segundo a qual nos acontecem coisas boas se pensarmos em coisas boas, era ridícula. A minha experiência pessoal também não ajudava, na medida em que eu tinha passado toda a adolescência a pensar em coisas boas (seios, sobretudo) e não me tinham acontecido coisas boas (seios, por exemplo, nunca). Também não me dedicava a sonhar, porque imaginava que a minha vida não tinha sido desenhada por Walt Disney. Claro que houve momentos, durante a infância, em que fantasiei com o meu futuro, mas essas fantasias não se concretizaram, e é por isso que hoje não sou um cardiologista que cura pessoas durante o dia, combate o crime durante a noite e joga na equipa principal do Benfica ao fim-de-semana. Por fim, estava habituado a desconfiar de mim. Por azar, nasci sem saber fazer nada, e por isso desenvolvi uma suspeita muito forte de que não conseguia fazer nada. Essa suspeita levava-me a tentar preparar-me, para aprender. Tivesse eu sabido mais cedo que me bastava sonhar, acreditar e pensar nas coisas certas, e a esta hora estaria a beijar uma princesa adormecida há muito tempo, e a viver feliz para sempre. Um dos aspectos que mais me aproxima dos novos gurus é o amor pela linguagem. Vê-se que não estudaram etimologia, mas acreditam, sonham, e pensam positivo sobre todas as partes da gramática. Um dos pregadores da Igreja Universal do Reino do Empreendedorismo tinha dito que a palavra “empreendedor” acabava em “dor” porque ser empreendedor era muito doloroso. Essa observação fez-me ganhar um novo respeito pelo espanador e mesmo pelo esquentador, que partilham aquela terminação, e são objectos cujo sofrimento eu desconhecia. Um outro teórico disse há dias que a nossa mente se chama mente porque nos mente todos os dias. Suponho que, em inglês, a mente se chame “mind” porque a mente dos ingleses não é aldrabona. Má sorte ter nascido português. O mesmo filósofo disse ainda que, se dividirmos ao meio a palavra “presente”, temos “pré-sente”, porque o presente é uma altura em que não estamos ainda a sentir teoria que ele postula num livro a que, sem receio de cacofonias, chamou “Agarra o agora”. E acrescentou que é impossível pensar e sentir ao mesmo tempo. São óptimas notícias para as vítimas de tortura. Basta que comecem a pensar e deixarão de sentir. Desde que não se esqueçam de pensar positivo.

      Visão31.07.2014

      Valham-nos os jornais

      Autor Alexandre Homem Cristo

      O que se saberia sobre Pedrógão Grande ou favorecimentos políticos sem (entre outras) as reportagens de Público, Expresso e Observador? É a imprensa portuguesa quem ainda oferece dignidade ao regime.

      Se não fosse o jornal Público, não saberíamos hoje que o SIRESP funcionou oito anos com contratos informais, isto é com alterações combinadas entre o Governo Sócrates e os seus accionistas mas nunca passadas ao papel. Aliás, não saberíamos muitas outras coisas elementares: por exemplo, que a Protecção Civil mudou metade da equipa operacional em Abril. E, por fim, não saberíamos o que falta saber – uma longa lista de perguntas às quais o governo e as autoridades que tutela têm negado resposta. Se não fosse o jornal Expresso, não saberíamos hoje a identidade das vítimas de Pedrógão Grande. Tal como desconheceríamos que o número de vítimas ultrapassa as oficiais 64, pois duas vítimas “indirectas” foram apuradas. E nem sequer sonharíamos que, num país do primeiro mundo, a lista de vítimas pudesse estar em segredo de justiça, como informou o Ministério Público – uma decisão tão absurda que rapidamente foi revertida. Se não fosse o jornal Observador, ninguém teria como provar aquilo que sempre desconfiou acontecer: nas eleições internas, os partidos põem os seus caciques no terreno a arregimentar votos, a encaminhar militantes e a controlar o curso das eleições para assegurar a vitória da sua facção. E também não se saberia que, nas juntas de freguesia de Lisboa, há presidentes que oferecem ajustes directos a empresas de camaradas de partido (PSD) ou até a empresas das quais são sócios. Há muito mais – Tancos, “galpgate”. Construir uma lista exaustiva, que fizesse justiça ao escrutínio público imposto pelos jornais nas últimas seis semanas, seria um exercício longo e demorado.

      Estas reportagens pressionaram quem ocupa cargos políticos. Expuseram as suas mentiras, as suas incompetências, as suas versões dos factos propositadamente incompletas, as suas tentativas de encerrar temas incómodos, o seu enviesamento político. Responsabilizaram partidos e governantes perante os cidadãos e os seus eleitores. E forçaram reacções. Boas –a cedência das autoridades públicas à pressão mediática, aceitando a transparência na informação. E más – o comportamento de militantes do PSD (contra a reportagem do Observador) e do PS (sobre Pedrógão Grande e Tancos), criticando os jornais, deturpando os factos, manipulando a informação e perseguindo quem investiga.

      O que retirar disto? Sobre o governo, Rui Ramos vai ao ponto – “passamos a ter o direito de suspeitar dos motivos desta ignorância de Estado; parece-se demasiado com uma vontade de fugir a quaisquer responsabilidades, recorrendo ao princípio mais elementar: se ninguém conseguir provar que o governo sabia, antes ou depois, então ninguém pode reclamar que o governo e os organismos que tutela deveriam ter prevenido, actuado eficazmente, ou remediado”. Sobre o repúdio do poder político pela liberdade de informação, o editorial do Expresso deste sábado rematou o assunto (após ter sido alvo da fúria do PS) e, antes, Filipe Santos Costa, denunciando os ataques de PS e PSD, foi ao nervo da questão: “para quem queira apenas atacar [um jornal], basta o ódio à imprensa livre; e disso há muito por aí”.

      O que falta dizer? Algo óbvio e simples, mas que convém repetir a cada oportunidade: os bons jornais fazem falta e há que defendê-los dos seus (muitos) inimigos. Uma imprensa forte, com jornalistas comprometidos com o esclarecimento público, é a principal defesa contra os abusos de poder e condição fundamental para uma democracia vibrante. E, numa hora negra da nossa história democrática, foi esse raio de luz que as redacções dos jornais nos ofereceram. Sim, a imprensa portuguesa tenta (sobre)viver como pode perante os desafios dos nossos tempos. Sim, a imprensa portuguesa tem problemas e merece muitas vezes que se lhe critique construtivamente opções ou enviesamentos. Mas o que se saberia sobre Pedrógão Grande, Tancos ou favorecimentos políticos sem (entre outras) as acima referidas reportagens do Público, do Expresso e do Observador? Muito menos. É a imprensa portuguesa quem ainda oferece alguma dignidade ao regime. Saibamos dar-lhe esse valor e preservá-la.