Enquanto dormia. 17-10-2017

100 mortos em quatro meses. E o Governo? É inimputável?


Noite boa, com a chuva a voltar e a ajudar os bombeiros.


Já vamos aos incêndios, passo antes pelas últimas notícias: 


Foram detidos dois líderes da revolta catalã.

A juíza da Audiência Nacional espanhola acusou os dois responsáveis de “sedição” por terem incentivado as massas a “impedir” a operação da polícia espanhola contra o referendo. Em Madrid, Rajoy e oposição preparam-se para completar o cerco político a Puigdemont: o próximo passo é retirar poderes às instituições catalãs.


Foi assassinada uma jornalista que investigava os ‘Panamá Papers’
. Daphne Caruana Galizia morreu na sequência de uma explosão do seu carro, depois de denunciar um caso de alegada corrupção envolvendo o actual primeiro-ministro de Malta. Agora, o FBI está a ajudar na investigação do provável homicídio.


“A guerra nuclear pode estourar a qualquer momento”.

O número dois da Coreia do Norte na ONU foi ao comité de desarmamento dizer que nenhum outro país foi sujeito a “uma ameaça nuclear tão extrema e directa”, alegando assim o direito a manter arsenal nuclear para “autodefesa”. A notícia é do The Guardian.


O Ophelia já matou três pessoas na Irlanda e Reino Unido.

Depois de passar a norte da Península Ibérica, o furacão que já virou tempestade deixou um rasto e várias vítimas. As autoridades decidiram manter tudo fechado ainda durante o dia de hoje.


4 meses, 100 mortos


“Sem desculpa”, diz o JN. “Imperdoável”, prefere o CM. Aqui no PÚBLICO deixámos os números falarem por si: “Quatro meses, mais de 100 mortos”. Como falam por si os olhos de um camponês, fotografado pelo Adriano Miranda e que faz a nossa capa – e de que fala também o Ferreira Fernandes no DN: “Ontem, António Costa falhou em nos cativar. Faltou-lhe olhar, antes de nos falar, a foto do camponês de Vouzela – fotografado por Adriano Miranda, no Público. Mãos calosas no cajado, cajado no peito e olhos tão tristes, frente à casa que já não era dele. Depois de o olhar demoradamente é que António Costa nos devia ter falado”.


A foto, essa foto, está nesta reportagem, do Adriano e da Natália Faria, com um título com um ponto de interrogação que nos faz chorar: “Depois disto, o que é que nos segura cá?”. Mas também podia estar nesta outra, do Camilo Soldado, porque cada história destes incêndios é uma história de nós todos.


O dia de hoje começou melhor, depois da chuva apagar os incêndios. Mas a noite de ontem elevou já para 36 os mortos das passadas 48 horas – numa lista demasiado triste que inclui um bebé de dois meses. Ninguém merece, nenhum país merece (e nem visto de fora parece admissível).


Na Galiza, onde muito também ardeu (mas muito menos pessoas morreram), já chamam a isto terrorismo. E fazem-se manifestações contra a gestão dos incêndios.


Por cá, António Costa falou ao país, mas sem olhar para trás. “É preciso passar das palavras aos actos”, disse-nos o primeiro-ministro sem ver a foto do Adriano Miranda, depois do Presidente avisar que também falará, depois do PCP pedir uma audiência em Belém e outra em São Bento, depois do Bloco ter pedido mudanças no Governo (já para nem falar da oposição).


“Não é tempo de demissões, mas de soluções”, disse Costa a rimar, sabendo que o MAI perdeu 29 meios aéreos desde o início do mês, como pode ler na nossa manchete de hoje, sabendo que a GNR não conseguiu avisar sobre as estradas proibidas, que as comunicações falharam outra vez, que os meios faltaram em todo o lado.


“Não é tempo de demissões, mas de soluções”, disse Costa a rimar, depois de 24 horas com risos madrugadores, férias, contradições e zero demissões, conhecendo já o segundo relatório sobre Pedrógão, que deu mais um tiro na Protecção Civil – atribuindo-lhe culpas antes, durante e depois da tragédia. E ouvindo o especialista Xavier Viegas dizer que “Pedrógão pode não ser um caso isolado”. Costa falou, talvez sem antes ver a foto do Adriano Miranda, talvez sem ver as imagens dos incêndios partilhadas por quem os viu de perto.


Talvez António Costa leia os textos de hoje na imprensa. Unânimes, na indignação. Talvez leia o João Miguel Tavares a falar de “uma comédia chamada Estado português”, Paulo Rangel a dizer que “não é aproveitamento político, é respeito, é pudor, é sentido do dever”. Ou o editorial do DN a falar de um “Estado de medo”, o do JN a baixar a cabeça sobre as “cinzas e luto”, o do Negócios a sugerir à ministra que “vá de férias”.


Talvez António Costa não queira ler o nosso editorial, mas ele foi escrito a pensar que sim, que talvez ainda o leia, que talvez ainda vá a tempo: “A António Costa só nos resta pedir que não nos faça chorar mais, que faça de uma vez o que tem de ser feito. Porque este Governo pode ser popular, mas não pode mesmo ser inimputável. Ou será, senhor Presidente?”.


Outras notícias


Só umas linhas para lhe deixar os links essenciais:


O Novo Banco já aprovou o aumento de capital
a assegurar pela Lone Star. Só falta chegarem os 750 milhões.


Governo e enfermeiros chegaram a acordo
. Entre as medidas acordadas está a reposição do pagamento por inteiro das horas nocturnas, de fins-de-semana e feriados.


Mas o Governo vai dar mais
: as 35 horas vão chegar a todos os profissionais de saúde na segunda metade de 2018, diz a secretária de Estado da Administração Pública, numa entrevista ao PÚBLICO. Mas não pode ser tudo, acrescenta Maria de Fátima Fonseca: contabilizar tempo nas carreiras, “não permitia descongelar em dois anos”.


Tempo é o que se pede (outra vez) na Operação Marquês
. O caso ficará parado até decisão sobre imparcialidade de Carlos Alexandre, conta-nos a Mariana Oliveira. E já há um advogado a reivindicar um ano extra para acabar de consultar processo.


Uma pausa para ler…


No meio de tanta desgraça, precisamos mesmo de boas notícias – e de boas leituras. Aqui estão algumas, só para si:


1. Pela primeira vez, vimos ondas gravitacionais e luz emitidas pela colisão de duas estrelas de neutrões. Um batalhão de telescópios pelo mundo fora juntou-se para fazer observações astronómicas inéditas a vários níveis. Anunciados esta segunda-feira em conferência de imprensa, os resultados serão publicados em inúmeros artigos científicos. A isto chama-se história – e ninguém melhor do que a Teresa Firmino para nos explicar (e mostrar) a descoberta.


2. É com o cérebro que comemos. “Um prato redondo e vermelho faz com que a comida pareça mais doce? Estamos dispostos a pagar mais por uma refeição se os talheres forem pesados? Charles Spence, investigador em Oxford, trabalha há muito para provar que a experiência de comer começa antes do momento em que a comida nos chega à boca.” Um momento, chegou a Alexandra Prado Coelho para nos abrir o apetite. Vai uma prova?


3. Vivemos colados ao telemóvel (mas não digam a Martin Cooper que a culpa é dele). Há 44 anos, ele fez a primeira chamada a partir de um telefone sem fios. Aos 88 anos de idade, este norte-americano continua a dar-nos lições sobre as tendências e o futuro das comunicações móveis. E não o faz sozinho, porque é casado com a “primeira-dama do wireless”. Se entrar para ler, já sabe a quem apontar o dedo.


Agenda do dia


Passa, claro, pelo rescaldo dos incêndios – talvez Marcelo nos fale hoje, seguramente o Parlamento voltará ao tema. Mas hoje também vamos ouvir falar da compra da TVI pela Altice, porque é dia da ERC nos dizer que a proposta é admissível. E também de uma decisão judicial: irão a julgamento os inspectores da PJ e da GNR, acusados de tráfico de droga? Mais logo, hora marcada para o regresso da Champions: às 19h45 o Porto vai a Leipzig – e o jogo pode dar asas.


Chegou a altura de deixar o dia voar, esperamos que de novo com razões para nos fazer sorrir. Pelo sim, pelo não, vá passando por nós – estamos aqui para lhe contar tudo. O que lhe desejo é um dia feliz. E produtivo.
 


Até já.

David Dinis, Director PÚBLICO

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Um exercício aritmético. Autárquicas 2017

Manuel Villaverde Cabral

O que poucos notaram é que os resultados sintéticos das autárquicas de 2013 e de 2017 foram, respectivamente, 50,2% e 51,5% para a «esquerda» e 34,8% e 34,5% para a «direita». «Derrota catastrófica»?

Há vários anos, antes mesmo de chegar ao governo depois de Sócrates e o PS terem chamado a «troika» para resgatar Portugal da bancarrota a que tinham levado o país (2011), já a ascensão de Pedro Passos Coelho (PPC) à chefia do PSD (2010) provocara a constituição de um numeroso grupo de antigos barões do seu partido que, desde então, o fustigam diariamente com a complacência da comunicação social. Durante o período do resgate, apesar de a economia portuguesa já estar a crescer no final do mandato de PPC (2015), este continuou a ser acossado pelos «senadores» do PSD, ao mesmo tempo que a «esquerda» desencadeou, por sua vez, um ataque cerrado contra ele pessoalmente.

A meio do mandato, foi o próprio número dois de PPC, Paulo Portas do CDS, quem lhe apresentou uma «demissão irrevogável» com mira na queda do governo e numa possível aliança com o PS (2013). Portas acabou por não se demitir mas impediu as reformas estruturais necessárias (pensões, administração pública, etc.), ficando PPC virtualmente sózinho com o ónus dos «cortes». Algo de importante PPC fez, com certeza, para desencadear a ira de tanta gente tão diferente e adorada pelos «media», nem que fosse para aumentar as audiências… Finalmente, terça-feira passada, conseguiram levá-lo a demitir-se da liderança do PSD perante os tais «resultados catastróficos» das eleições autárquicas, de tal modo que o próprio PPC parece tê-los usado para se libertar das pressões ininterruptas dos últimos sete anos.

Ora, um mero exercício aritmético mostra que a derrota percentual do PSD e, em especial, a alegada «derrota da direita» no domingo passado, estão longe de ser novidade desde as autárquicas de 2013 e não foram muito diferentes dos resultados das legislativas de 2015 em que a «PaF» ficou à frente dos partidos de oposição, que ninguém imaginava então virem a conluiar-se. Com efeito, para tirar ilações nacionais legítimas das autárquicas, como todos os comentadores repetiram durante a campanha, estas não podem ser comparados mecanicamente aos das legislativas.

Ao compará-las sem mencionar as características próprias das candidaturas nas autárquicas, está-se a esconder, entre muitos outros factores específicos, votações apresentadas como «independentes», género Isaltino, cujo eleitorado há-de estar mais perto da «direita» do que da «esquerda»… É pois altamente enganador tirar conclusões políticas e partidárias nacionais da mera comparação entre as autárquicas de 2013 e as de 2017, como faz o «Público» do dia 3 (quadro da pág. 3), onde os resultados dos partidos da «direita», como esta é agora designada automaticamente, são apresentados de forma muito parcial: dão 16,1% ao PSD, 2,6% ao CDS e 8,8% ao PSD/CDS, quando, no quadro ao lado, a «direita» no seu conjunto terá tido, sim, 34,5% dos votos…

Ora, o que poucos observaram, preferindo brandir a «queda inédita» do PSD a fim de atingir o seu líder, é que os resultados sintéticos das autárquicas de 2013 e de 2017 foram, respectivamente, 50,2% e 51,5% para a «esquerda» e 34,8% e 34,5% para a «direita» segundo o «Público», ou seja, com pouquíssima variação entre as duas votações (os votos que faltam perdem-se nos «brancos e nulos» e outras «miudezas»). Sendo assim, pouca diferença significativa há entre esses resultados e os das legislativas de 2015 (52,75% à «esquerda», incluindo o PAN, e 38,5% à «direita»), com perda dos votos expressos restantes, ou seja, um ganho de pouco mais de um por cento à «esquerda» e uma perda de 4% à «direita» em relação às legislativas.

Ou seja, nada que não faça pensar nos «bónus» feitos pelos governos na recta final das campanhas eleitorais como fez o PS… Mais: se é certo que o PSD teve um mau resultado na cidade de Lisboa, de que tanto se falou e que se deveu à autonomização da candidatura do CDS na linha de Portas, o PS não só perdeu a maioria na Câmara como teve menos 10% dos votos, metade dos quais terão ido para o BE enquanto o PCP ficou praticamente igual. No concelho de Lisboa, a «esquerda» junta teve 57% em 2017 quando tinha tido 61% em 2013; pelo seu lado, o CDS e o PSD juntos, ou seja, a «direita» teve 33,6% em 2017 quando tivera 22,3% em 2015; afinal, aumentou… Entretanto, coisa que nenhum dos glorificadores da «grande vitória» assinalou, o PS ganhou apenas 1,5% no total e ficou, portanto, a quilómetros da «maioria absoluta», continuando a depender da «geringonça» até mais ver!

É isto que se chama uma «derrota catastrófica» ou, mais modestamente, um erro de «casting» do PSD? Provavelmente foi mais do que um mero desentendimento mas está muito longe do resultado «catastrófico» criado na noite televisiva por um vasto «lobby» que vai da extrema-direita à extrema-esquerda, passando por quase todos os quadrantes dos «media», a saber, os mesmos que nunca viram PPC com bons olhos e que toleram, sem pestanejar, a conquista do poder pelo PS sem olhar à sua própria tradição política democrática. Águas passadas, porém, não movem moinhos. O certo é que Cavaco Silva não soube gerir os resultados das legislativas de 2015 e, desde então, Pedro Passos Coelho não encontrou o caminho que poderia levá-lo de novo ao poder.

http://observador.pt/opiniao/um-exercicio-aritmetico/

O PCP nunca pediu a demissão de um ministro. É verdade!

Coluna arguta e sempre disposta a fazer a mais recente coqueluche do jornalismo que é o fact-check, pode afirmar, perante quem tenha dúvidas, que o PCP só não pede a demissão de Mário Centeno porque, na verdade, como afirmou e desafiou o seu dirigente João Ferreira, os comunistas nunca pediram a demissão de um ministro. Ao contrário do que disse na SIC o jovem Bernardo Ferrão que, só mesmo por juventude, pode ter confundido os planos

Claro que o jornalista Bernardo foi defender-se, que é sempre o que fazem os jornalistas. E foi aos arquivos à procura de frases de dirigentes do PCP que num dia qualquer tivessem indicado a porta da rua a um ministro. Ficou convencido de que fez o seu trabalho porque aparentemente vários dirigentes proclamaram que este e aquele deviam abandonar o Governo.

No entanto, Bernardo, cometeu um grande erro. Não percebeu a coisa mais importante e decisiva do comunismo. Eu passo a explicar-lhe: o comunismo e o Partido são imaculados. Infelizmente têm, um como o outro, de ser contruídos e vivenciados por homens. Estes transportam consigo a força mais reacionária do mundo, que como dizia Lenine, é a força da tradição. É, pois, natural, que cometam erros, ainda que inadvertidos. Quando os cometem, meu caro Bernardo, os comunistas autocriticam-se e ficam tão puros como uma rameira depois da confissão e do de contrição.

Acresce que as posições do PCP para poderem ser consideradas como posições do PCP têm de estar escritas numa folha com o emblema e ter um título do estilo “Posição do Comité Central do PCP sobre a necessidade de demitir o ministro tal e mudar para uma nova política”.

Ora o que descobriu a SIC e o Bernardo nos arquivos? Algumas pessoas sem importância como o Jerónimo de Sousa, o João Ferreira, o Bernardino Soares, o João Oliveira e mais uns tantos, a falarem. De quê? Não de demissão de ministros, nem isso a SIC conseguiu encontrar, mas de coisas que, sendo semelhantes, são substancialmente diferentes.

Por exemplo, um destes dirigentes, pede que Maria Luís Albuquerque abandone o Ministério das Finanças. Mas Maria Luís nunca foi ministro, foi ministra. Só o machismo de Ferrão pode levar a confundir uma coisa assim. O mesmo se aplica, de resto, a Paula Teixeira da Cruz e Celeste Cardona. Estamos arrumados por aqui.

Depois há uns apelos à demissão do Governo todo. E sabe-se que o todo não é igual à soma das partes na moderna teoria quântica que o PCP adotou no mais recente Congresso. Por isso é argumento que também não colhe.

Há ainda um dirigente comunista que parece pedir a demissão de Miguel Relvas. Mas, como se sabe, Relvas tendo habilitações duvidosas não tinha condições para ser ministro. O que o PCP estava era a explicar-lhe isso mesmo e nada mais.

Noutro argumento diz-se que Paulo Portas foi alvo do PCP. Sim, mas como líder do CDS. O PCP atacou o líder do CDS e não o ministro. O facto de ele ter de deixar o Governo tinha a ver com o seu mau desempenho no Caldas.

Por último parece que foi pedida a demissão de Nuno Crato. Mas Nuno Crato nem sequer existe. Foi sempre uma invenção de Mário Nogueira, uma espécie de diabo criado pela Fenprof destinado a mobilizar os fiéis. Ah! E mesmo que existisse, tinha habilitações a mais, estava claramente sobre-habilitado para o cargo, coisa para a qual o PCP quis alertar.

Por isso, amigo Bernardo. Eles, no PCP, têm razão. Nunca pediram formalmente e em papel timbrado a demissão de um ministro e mesmo aqueles militantes sem importância (que mais tarde se autocriticaram) apenas indicaram pessoas que não tinham condições para estar no Governo. Quer isto dizer que o PCP jamais pediu a um homem ou mulher com condições para governar que o deixasse de fazer. Aliás, isso é muito dos comunistas – aguentá-los até caírem.

Comendador Marques de Correia

“Temos de tornar mais atractivo” que reformados possam dar formação.

Uma noticia que só serve para nos rir-mos, pois se fosse para levar a serio, ter-se-ia de fazer algo que é contrário á Lei e á moral prevalecente.

“Vieira da Silva O ministro do Trabalho e responsável por
organizar uma conferência com as Nações Unidas sobre
o envelhecimento espera que a Carta de Lisboa, que será
aprovada na sexta-feira, permita “dar mais visibilidade” ao tema.”

Boa noite!

Na passada sexta-feira uma das grandes agências de notação financeira, a Standard & Poor’s, subiu inesperadamente o rating da dívida pública portuguesa, que assim deicou de ser “lixo”. As principais razões dessa agência estão sintetizadas na notícia do Observador, onde se escreve que, para a S&P, “os riscos, de um modo geral, estão “equilibrados”, agência que também “lembra ainda existe o perigo de “um enfraquecimento do crescimento no exterior” e, por outro lado, Portugal está mais vulnerável pelo facto de ter um endividamento público e privado “elevado, ainda que em trajetória descendente”. A notícia suscitou naturalmente uma avalanche de reacções políticas, sobre as quais não me alongarei muito, apesar de referenciar textos que as analisam. Antes, porém, deixem-me dar-vos a “morada” da nota da S&P, que pode ser lida aqui: Ratings On Portugal Raised to ‘BBB-/A-3’ On Strong Economic And Budgetary Performance; Outlook Stable. Como verão os analistas da agência de notação explicam com algum detalhe o porquê da sua revisão em alta da nossa nota de risco, mas também deixam alertas: “In our opinion, consecutive increases in the minimum wage, most recently by 5.1% in January 2017, accompanied by measures to offset some of the additional cost for employers, are unlikely to have weakened the cost competitiveness of Portuguese goods and services. However, we consider that Portugal’s fragile demographics, weakened by substantial net emigration and a declining labor force, exacerbate these challenges. Low productivity growth would likely stifle the economy’s growth potential (though this is not unique to Portugal),without further improvements in the efficiency of the public administration, judiciary, and the business environment, including with respect to barriers in services markets (for example, closed professions)”.

De entre os textos que exploraram melhor o conteúdo do documento da S&P destaco o de Joaquim Miranda Sarmento no Eco, uma crónica que também se refere ao mais recente relatório do FMI sobre Portugal: FMI e S&P: a mesma análise e os mesmos avisos. Das suas conclusões destaco esta passagem: “A tarefa não está concluída. Pelo contrário, temos ainda 2 p.p. do PIB de consolidação orçamental estrutural, temos de reduzir a divida pública abaixo dos 100% rapidamente (…), temos de reduzir o peso do Estado e da despesa pública e continuar a reformar a economia para a tornar mais competitiva e capaz de aguentar choques externos. Num país com uma dívida pública de 130%, achar que há “folgas” no Orçamento de Estado só pode conduzir de novo aos erros do passado.”

É uma linha de raciocínio que não está muito longe da de outro economista, Luís Aguiar-Conraria, que num texto no Observador – De BB+ para BBB- –, mesmo dedicando a maior parte da crónica a comentar criticamente as reações dos diferentes partidos, tanto à direita como à esquerda, e sobretudo à extrema-esquerda, nota que “a procissão ainda vai no adro” pois “continuamos muito endividados”. Este texto também sublinha que, para termos chegado aqui, beneficiámos de uma invulgar conjugação de factores favoráveis: “Nos últimos tempos, a Lei de Murphy aplicou-se a Portugal, só que ao contrário. Tudo o que havia para correr bem, correu. Desde a conjuntura externa favorável às políticas monetárias de Mario Draghi no BCE ou à evolução do preço do petróleo, passando pela existência de uma agência de notação financeira, a DBRS, que precisava de publicidade fácil e, sem que ninguém lhe encomendasse o serviço, classificou a nossa dívida pública numa categoria acima do lixo. Graças a essa conjuntura externa, conjugada com algum bom senso que impediu loucuras como ter os governos nacionais a abertamente pedir reestruturações da dívida, as coisas têm corrido bem.”

Curiosamente uma das correspondentes do Financial Times em Bruxelas,  Mehreen Khan, ao referir-se a essa conjugação de ventos favoráveis também escreveu sobre a sorte e o “timing” perfeito do governo de Costa, como se sintetizava no Observador. Vale mesmo assim a pena ler o texto do FT – Portugal’s comeback is the eurozone’s socialist success story – pois este é bastante claro: “Perhaps the most crucial factor behind Portugal’s reversal of fortunes is the brightening outlook in the eurozone and global economy this year. The country’s export performance has improved, investment is on the up, and accelerating growth has helped narrow Portugal’s budget black hole to its lowest in more than two decades. The Socialists are also enjoying the fruits of the previous centre-right government’s painful labour market reforms.”

E agora, será que este caminho é sustentável se os ventos não continuarem a soprar todos para o mesmo lado? Marcus Ashworth, um colunista da Bloomberg que escreveu no Jornal de Negócios, não esconde algum cepticismo em Portugal só é grau de investimento no nome. Em concreto, “O nível insustentável da dívida foi a principal razão pela qual as agências de rating colocaram Portugal no território de “lixo” há cinco anos, no auge da crise do euro. Nesta matéria o progresso foi glacial. O bom desempenho dos títulos portugueses tem muito mais a ver com a sua relativa escassez do que uma súbita transformação económica”. Mais: “Portugal é um dos poucos países europeus que beneficia de todos os mecanismos de apoio do Banco Central Europeu. O banco central tem agora quase um terço de toda a dívida emitida por Portugal.”

Ora, como notou Rui Ramos no Observador em António Costa já deu os parabéns Passos Coelho?Por baixo do véu da conjuntura internacional, o país está longe de saudável.” Numa crónica mais política onde critica duramente a forma como o primeiro-ministro quis para si todos os louros desta decisão da S&P – “Pensar que o país saiu do lixo porque aumentou os funcionários em 2016, e que o ajustamento de 2011-2014 não teve qualquer papel, é uma prova de obtusidade, antes de ser uma exibição de facciosismo.” –, o cronista explica as razões da sua cautela quando olha para o futuro: “A dívida é mais cara do que a de Espanha, a poupança é a mais baixa de sempre, o crédito está novamente focado na habitação, o crescimento económico é inferior ao espanhol, o défice comercial aumenta. Não, não é a bancarrota para a próxima semana. É apenas a medida da vulnerabilidade de uma economia impedida de se valer das oportunidades para progredir ao nível requerido pelas suas expectativas e compromissos. A boa conjuntura protege-nos. Mas bastará que o tempo mude para nos arriscarmos a mais aflições.”

O economista Ricardo Arroja aborda o mesmo tipo de dúvidas na sua coluna no Eco, Até quando é que isto dura?, uma análise onde passa em revista a evolução de alguns indicadores económicos entre 2002 e 2017, com especial atenção ao período 2007-2017 – para procurar perceber até que ponto a nossa recuperação é sólida. A sua conclusão é que não podemos mesmo descansar à sombra desta notícia mais positiva, esperando que o resto nos chegue naturalmente: “Com excepção do turismo (cujos operadores conseguiram aumentar o “preço” a par do aumento da “quantidade”, assim contrariando a lei da procura e da oferta, o que também tende a ser temporário), a evolução dos restantes indicadores discutidos neste artigo evidencia uma natureza mais cíclica do que estrutural. Por isso, à pergunta “estaremos hoje melhor preparados para enfrentar a próxima crise mundial?” a minha resposta é “nem por isso”. É facto que não teremos uma crise súbita de pagamentos, porque a balança corrente está hoje equilibrada (face aos défices pré-resgate de quase 10% do PIB). Mas, ainda assim, apesar de alguma melhoria, o PIB potencial continua muito aquém daquele que seria necessário no sentido de uma efectiva convergência face à Europa mais rica (sendo que conjunturalmente, vide último trimestre em cadeia, a situação foi já de divergência). Para concluir e numa só expressão: não há decolagem.”

Para quem se interessa mais por economia e gostaria de aprofundar um pouco mais a discussão sobre o que houve (ou não houve) de novo nos últimos anos vale a pena ler Pedro Romano no seu blogue Desvio Colossal, sobretudo um texto escrito ainda antes da decisão de S&P e onde discute a questão de saber se continua ou não a haver austeridade. O texto foi suscitado pela entrevista de Mário Centeno à RTP, mas como a sua argumentação é muito sólida e pouco comum não posso deixar de o recomendar. Partindo de uma interrogação – O fim da austeridade? –, Pedro Romano acaba por chegar às seguintes conclusões: “i) a austeridade, definida como ‘medidas de orçamentais de redução do défice’ não acabou. O que acabou foi o período de grandes ajustamentos adicionais: neste momento, a dose marginal que é preciso adoptar a cada ano que passa é minúscula. ii) Portanto, não é que a austeridade tenha desaparecido – simplesmente tornou-se irrelevante para o crescimento económico; iii) É verdade que houve alterações no mix de medidas, e que nesse sentido a austeridade actual é diferente da austeridade passada. Mas as diferenças em causa – ao nível dos sectores em que incidem, e dos impactos económicos que geram – provavelmente não serão aqueles que a maior parte das pessoas de julga. E certamente que não têm sido discutidos com rigor; iv) É perfeitamente possível que a maior parte das pessoas não tenha noção de tudo isto.”

Termino com uma outra crónica que, tal como esta, é algo lateral ao debate sobre a nossa saída do “lixo”, antes reflecte sobre o que, na economia, ajudou a fazer a diferença na nossa recuperação. Henrique Raposo, escrevendo no Expresso Diário (paywall), dá-nos um conselho: Agradeçam ao norte. A sua tese é que foi sobretudo no norte que a economia começou a dar a volta, pelo esforço das suas gentes e empresas, uma ideia que já tinha e viu confirmada numa notícia do Caderno de Economia do Expresso do passado sábado, Norte lidera contratações. Escreve ele, começando até por referir o espaço que nesse semanário se dedicou ao tema: “Mas talvez seja este o problema: este norte é arrumado nos cadernos de economia, não faz manchetes, não abre telejornais; faz parte de processos de longo alcance (ex.: subida das exportações) e não de acontecimentos mediáticos. A realidade porém é que este norte é o nosso grande salvador. Viveu a crise muito antes de Lisboa, adaptou-se à crise muito antes de Lisboa, é ali que estão as grandes indústrias exportadoras com fortes ligações ao norte da Europa, é ali que está o espírito de poupança que nos faz falta.

Como já terão percebido estas duas últimas crónicas desenvolvem argumentos que habitualmente não estão muito presentes no debate público, e por isso não surpreende que o público os ignora e poucos confrontem o poder político com estas outras formas de ver. Mas é precisamente para ajudar a difundir ideias que enriqueçam o nosso debate público que existe o Macroscópio, hoje regressado de umas merecidas férias.

Aos meus leitores, desejo, como habitualmente, bom descanso e melhores leituras.

Por José Manuel Fernandes, Publisher

“Rating” acima de “lixo”? “Agradeçam ao BCE”, diz colunista da Bloomberg

Colunista da Bloomberg não alinha em euforias. A dívida (de perto de 130%) é “completamente insustentável” e isso só não é um problema porque o banco central já é dono de quase um terço da dívida.

Portugal tem uma dívida pública, de perto de 130% do PIB, que é “completamente insustentável” e têm sido “glaciares” os progressos na redução do endividamento. Esta é a opinião de um colunista da Bloomberg, Marcus Ashworth, que é um antigo chefe da estratégia em mercados financeiros na Haitong Securities, em Londres. Ashworth não alinha em euforias, apesar da decisão da S&P de tirar o rating de Portugal de lixo, e sublinha que a “insustentabilidade” da dívida só não é um problema porque o Banco Central Europeu (BCE) é dono de quase um terço.

Na opinião deste colunista, não faz sentido que a dívida de Portugal possa ser considerada um “investimento de qualidade”, que é o que pressupõe a notação de risco (BBB-) que a S&P lhe atribuiu na sexta-feira — e as outras duas grandes agências, Moody’s e Fitch, também parecem perto de fazer o mesmo.

Com um rácio de dívida, em percentagem do PIB, bem acima de 125%, o fardo da dívida é claramente insustentável, não fosse o apoio incondicional por parte do banco central. Agradeçam ao BCE”, escreve Marcus Ashworth.

O colunista, especialista em mercados financeiros, considera que a recente baixa das taxas de juro no mercado — já a descontar a hipótese de as agências de rating subirem a notação — é “mais o resultado da escassez relativa de títulos do que uma qualquer transformação económica súbita”.

“Portugal é um dos poucos países que aparece em todos os mecanismos de apoio do Banco Central Europeu. O banco central já é dono de quase um terço de toda a dívida existente, o que é o máximo previsto nas regras do programa de compra de dívida”, assinala Ashworth. A ação do BCE ajuda a comprimir as taxas de juro no mercado, facilitando as emissões de nova dívida, e os lucros obtidos com os juros pagos pelo Estado vão para o BCE (e não para investidores privados) e, depois, são distribuídos pelo Eurosistema, regressando, em teoria, ao Estado na forma de dividendos do banco central nacional.

Os progressos na economia têm sido bons, mas não suficientemente bons para começarem a abater neste impressionante fardo de dívida”

Marcus Ashworth afirma, também, que a decisão da S&P não é suficiente para a inclusão de Portugal nos grandes índices de obrigações, como o World Government Bond Index do Citigroup e os Bloomberg Barclays Indices. Uma promoção por parte da Moody’s, em especial, seria importante para este fator.

http://observador.pt/2017/09/19/rating-acima-de-lixo-agradecam-ao-bce-diz-colunista-da-bloomberg/

Irreflexão! A entrevista do CEO da Mercedes Benz, publicada em 16 de Julho de 2017

. Daimler Benz (Mercedes Benz) disse que seus concorrentes não são mais as outras companhias de carro, mas sim a Tesla (óbvio), Google, Apple e Ama1. Softwares irão quebrar a maioria das indústrias tradicionais nos próximos 5-10 anos;

2. Uber é apenas uma ferramenta de software, eles não possuem carros, e são agora a maior empresa de táxi do mundo;

3. Airbnb é agora a maior empresa hoteleira do mundo, embora eles não possuam quaisquer propriedades;

4. Inteligência Artificial: Computadores se tornam exponencialmente melhores em compreender o mundo. Este ano, um computador bateu o melhor Go player no mundo, 10 anos mais cedo do que o esperado;

5. Nos EUA, jovens advogados já não conseguem emprego. Por causa da IBM Watson, você pode obter aconselhamento legal (até agora para as coisas mais ou menos básicas) em poucos segundos, com uma precisão de 90% em comparação com uma precisão de 70% quando feito por seres humanos;

6. Então, se você estuda direito, pare imediatamente. Haverá 90% menos advogados no futuro, apenas especialistas permanecerão;

7. Watson já ajuda enfermeiros no diagnostico de câncer, 4 vezes mais preciso do que os enfermeiros humanos. Facebook agora tem um software de reconhecimento de padrões que podem reconhecer rostos melhores do que seres humanos. Em 2030, os computadores se tornarão mais inteligentes do que os seres humanos;

8. Carros autónomos: Em 2018 os primeiros carros de auto condução estarão disponíveis para o público. Por volta de 2020, a indústria completa vai começar a ser interrompida. Você não vai querer ter um carro mais. Você vai chamar um carro com o seu telefone, ele vai aparecer no seu local e levá-lo ao seu destino. Você não vai precisar estacioná-lo, você só pagará pela distância percorrida e pode ser produtivo durante a condução. Nossos filhos nunca irão ter uma carteira de motorista e nunca vão possuir um carro;

9. Isso vai mudar as cidades, porque vamos precisar de 90-95% menos carros. Poderemos transformar antigos estacionamentos em parques. 1,2 milhões de pessoas morrem a cada ano em acidentes de carro em todo o mundo. Temos, agora, um acidente a cada 60.000 milhas (100.000 km), com a condução autónoma, esse número vai cair para 1 acidente em cada 6 milhões de milhas (10 milhões de km). Isso vai salvar um milhão de vidas por ano!

10. A maioria das companhias de carro provavelmente vão falir. Companhias de carro tradicionais tentam a abordagem evolutiva e apenas construir um carro melhor, enquanto as empresas de tecnologia (Tesla, Apple, Google) fazem a abordagem revolucionária e constroem um computador sobre rodas;

11.Muitos engenheiros da Volkswagen e Audi estão completamente aterrorizados pela Tesla;

12. As companhias de seguros terão dificuldade enorme, porque sem acidentes o seguro vai se tornar 100x mais barato. Seguros para automóveis irão desaparecer;

13. O mercado Imobiliário vai mudar. Porque se você pode trabalhar enquanto se desloca, já que os carros serão autónomos, as pessoas vão se mudar para mais longe e viver em um bairro mais bonito e quase rural;

14. Os carros eléctricos vão se tornar tendência em 2020. As cidades serão menos barulhentas, porque todos os carros novos serão movidos a electricidade. Electricidade se tornará incrivelmente barata e limpa: produção Solar tem tido uma curva exponencial de 30 anos, agora você pode ver o impacto crescente;

15. No ano passado, mais energia solar foi instalada no mundo do que o combustível fóssil. As empresas de energia estão tentando desesperadamente limitar o acesso à rede para evitar a concorrência de instalações solares em casa, mas isso não pode durar. A tecnologia vai driblar essa estratégia;

16. Com electricidade barata, vem a água abundante e barata. A dessalinização de água salgada agora, só precisa 2kWh por metro cúbico (@ 0,25 cêntimos). Não temos água escassa na maioria dos lugares, só temos água potável escassa. Imagine o que será possível se alguém pode ter tanta água limpa quanto quiser, por um custo muito baixo;

17. Saúde: O preço do Tricorder X será anunciado este ano. Existem empresas que irão construir um dispositivo médico (o chamado “Tricorder” do Star Trek), que funciona com o seu telefone, o que leva a digitalização da sua retina, sua amostra de sangue e respiração com ele;

18. Ele analisa 54 biomarcadores que irão identificar quase qualquer doença. Será barato, por isso em alguns anos todos neste planeta terão acesso a uma análise médica de classe mundial, quase de graça. Adeus, estabelecimento médico;

19. Impressão 3D: O preço da impressora 3D mais barata caiu dos US $ 18.000 para US $ 400 nos últimos 10 anos. Ao mesmo tempo, tornou-se 100 vezes mais rápida. Todas as grandes empresas de calçados, já fazem sapatos com impressão 3D;

20. Algumas peças de avião já estão sendo impressas em 3D, em aeroportos remotos. A estação espacial agora tem uma impressora que elimina a necessidade da grande quantidade de peças de reposição, que costumava ter no passado;

21. No final deste ano, os novos smartphones terão possibilidades de digitalização em 3D. Você pode então digitalizar seus pés em 3D e imprimir o seu sapato perfeito em casa;

22. Na China, eles já construíram um edifício comercial completo de 6 andares com uma impressora 3D. Até 2027, 10% de tudo o que está sendo produzido será impresso em 3D;

23. Oportunidades de negócio: Se você pensar em um nicho que você quer ir, pergunte-se: “no futuro, você acha que vamos ter isso?” e se a resposta for sim, como você pode fazer isso acontecer mais cedo? Se não funciona com o seu telefone, esqueça a ideia. E qualquer ideia concebida para o sucesso no século 20, está fadada ao fracasso no século 21;

24. Trabalho: 70-80% dos empregos vão desaparecer nos próximos 20 anos. Haverá uma grande quantidade de novos postos de trabalho, mas não está claro se haverão novos empregos, suficientes em um pequeno período de tempo;

25. Agricultura: Haverá um robô agrícola de $100 no futuro. Agricultores nos países do 3º mundo poderão, então, tornar-se gerentes de seu campo em vez de trabalhar o dia todo neles;

26. Aeroponics vai precisar de muito menos água. O primeiro Petri prato de vitela produzido, já está disponível e será mais barato do que vaca vitela produzido em 2018. Agora, 30% de todas as superfícies agrícolas é utilizado para vacas. Imagine se nós não precisarmos de mais espaço. Existem várias startups que trarão proteína de insecto ao mercado em breve. Insectos possuem mais proteína do que a carne. Eles serão rotulados como “fonte de proteína alternativa” (porque a maioria das pessoas ainda rejeitam a ideia de comer insectos);

27. Existe um aplicativo chamado “Moodies”, que já pode dizer em que humor você está. Em 2020 haverá aplicativos que podem dizer por suas expressões faciais, se você está mentindo. Imagine um debate político onde está sendo exibido quando eles estão dizendo a verdade e quando eles não estão?!

28. Bitcoin, pode mesmo tornar-se a moeda de reserva padrão … do mundo!

29. Longevidade: Agora, a média de vida aumenta em 3 meses por ano. Quatro anos atrás, a vida costumava ser 79 anos, agora é 80 anos. O aumento em si é crescente e por 2036, haverá mais de um ano aumento por ano. Então, todos nós podemos viver por um longo tempo, provavelmente muito mais do que 100 anos;

30. Educação: Os smartphones mais baratos já estão em US$10 na África e Ásia. Em 2020, 70% de todos os seres humanos possuirão um telefone inteligente. Isso significa que, todo mundo tem o mesmo acesso à educação de classe mundial;

31. Cada criança poderá usar a Khan Academy para tudo, o que uma criança precisa aprender na escola em países do Primeiro Mundo. Já houve lançamentos de software na Indonésia e em breve haverão versões em árabe, Suaheli e chinês, ainda nesse ano. Eu posso ver um enorme potencial, se dermos o aplicativo em Inglês de graça, para que as crianças na África e em outros lugares,  possam tornar-se fluentes em Inglês e isso poderia acontecer dentro de meio ano. “